Boas práticas apícolas

Como qualquer outro alimento, é necessário que todas as etapas de produção do mel, desde o campo até a entrega do produto no entreposto, sejam realizadas com muito cuidado, para que as características do mel sejam preservadas e os riscos de contaminações sejam controlados para garantir uma produção segura. A garantia da produção segura pode ser alcançada com a aplicação das Boas Práticas Apícolas (BPA), que caracteriza-se pela aplicação dos princípios higiênicos e sanitários na condução do processo produtivo, com todos os procedimentos utilizados descritos e registrados.

Colaboradores

Para trabalhar diretamente no manejo das colmeias, todos os colaboradores devem passar por um treinamento completo de Boas Práticas Apícolas. Além disso, é muito importante que todos estejam em perfeita saúde.

É vedada a participação no processo de pessoas que estejam com gripe, infecções gastrintestinais ou cutâneas. Hábitos anti-higiênicos, como tossir ou espirrar sobre as melgueiras ou favos também devem ser terminantemente evitados.

Cuidados na coleta e transporte de mel

Descuidos na coleta e transporte dos favos de mel podem comprometer a qualidade do produto, causando alterações no gosto e na composição.

Além do cuidado extremo com a higiene de todos os materiais, a coleta deve ser feita apenas em dias ensolarados e as melgueiras jamais devem ser colocadas diretamente sobre o solo, mas sobre bandejas, e não devem ficar expostas sob luz solar. Para serem coletados, os favos precisam ter no mínimo 80% de sua área operculada e não pode haver presença de crias e pólen.

A fumaça deve ser usada com parcimônia e não pode ser direcionada para dentro da colmeia ou sobre os favos de mel. Essa medida impede que o mel absorva o cheiro e o gosto da fumaça.

As melgueiras devem ser transportadas em veículo fechado. Caso se utilize um carro aberto, como caminhonetes, uma lona clara plástica e devidamente higienizada deve forrar o piso da caçamba e cobrir as melgueiras.

Higienização de equipamentos e asseio pessoal

Outras práticas a serem adotadas nos processos de coleta e extração de mel são:

Para a higienização de equipamentos:

  • Pré-lavagem de todos os materiais com água corrente;
  • Lavagem com sabão neutro, esponja e enxágue com água tratada;
  • Sanitização com água sanitária (2,5% de hipoclorito de sódio), na proporção de 0,5% (5 mL de água sanitária para 1 L de água), e enxágue com água tratada.

Para a higienização pessoal:

  • Deve-se tomar banho (lavando inclusive a cabeça), preferencialmente com sabão de coco;
  • Não se deve usar desodorantes ou perfumes para evitar impregnação no mel;
  • Manter unhas aparadas e rigorosamente limpas.

Cuidados com o uniforme:

  • As roupas, além de limpas, devem ser claras. Preferencialmente de cor branca;
  • Não se deve abrir mão de usar touca e máscara, evitando contaminações;
  • Em certos casos o uso de luvas não é obrigatório, sendo indispensável retirar anéis, alianças e pulseiras.

Beneficiamento e comercialização

Ao local onde ocorre a extração do mel dá-se o nome de unidade de extração dos produtos das abelhas (UEPA), popularmente conhecida como casa do mel. Lá o produto é retirado, centrifugado, peneirado e decantado para separação de sujidades.

Sua construção deve obedecer às normas sanitárias da portaria nº 6, de 25 de julho de 1985, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Já ao entreposto, cabe o beneficiamento do mel, no que diz respeito à padronização e melhoria do produto final. São compreendidas etapas de homogeneização (em relação à sua cor, aroma e sabor), descristalização, retirada do excesso de umidade e nova decantação.

Atendidas essas exigências, a estrutura estará apta para requerer o Selo de Inspeção Federal (SIF), emitido pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA), conferindo garantia de qualidade dos produtos de abelhas e derivados, além de sua aprovação para exportação.

Caderno de campo

O desenvolvimento do setor agropecuário trouxe novas exigências aos produtores para a garantia dos produtos. A utilização correta do caderno de campo é a forma mais simples para o apicultor comprovar a qualidade de sua produção.

Por meio de seus registros, é possível conhecer o histórico do produto. O Programa de Alimento Seguro (PAS) do Senai/Sebrae elaborou uma proposta de caderno de campo bem simples, com as anotações necessárias e importantes, que registram os possíveis riscos de contaminações da produção.

Este caderno faz parte do conjunto de materiais desenvolvidos para apoiar o setor apícola no atendimento às exigências da União Europeia, mas especificamente a implantação das Boas Práticas e Análise dos Perigos e Pontos Críticos de Controle do campo ao entreposto de mel.

Confira o modelo de caderno de campo no Guia de Uso e Aplicação de Normas da Cadeia Apícola, elaborado pelo convênio ABNT/SEBRAE.

Neste link você pode obter mais informações no Manual de Segurança e Qualidade para Apicultura.

https://wp.ufpel.edu.br/apicultura/files/2010/05/manual_de_seguranca_apis.pdf