Geleia real pode ter a chave para combater doenças degenerativas

Geleia real pode ter a chave para combater doenças degenerativas

7 de janeiro de 2019

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Stanford identificaram em mamíferos uma proteína semelhante em estrutura ao componente ativo da geleia real. O estudo apontou que a proteína funcionou como uma espécie de fonte da juventude para células-tronco embrionárias em camundongos.

A proteína faz com que as células permaneçam pluripotentes, o que significa que elas podem se transformar em qualquer célula do corpo.

A descoberta revela novos caminhos para a pluripotência e sugere novas maneiras de manter as células-tronco em estado de animação suspensa até que sejam necessárias terapias futuras.

Crédito: Universidade de Stanford

“No folclore, a geleia real é como um supermedicamento, particularmente na Ásia e na Europa”, afirmou Kevin Wang, um dos autores da pesquisa. “Mas a sequência de DNA da royalactina, o componente ativo da geleia, é exclusivo para as abelhas. Agora, identificamos uma proteína em mamíferos estruturalmente semelhante, que pode manter a pluripotência das células-tronco”.

Wang se perguntou como uma dieta de geléia real poderia desencadear as diferenças extremas vistas entre as abelhas-rainha e as operárias. Afinal, as duas castas de insetos compartilham um genoma idêntico.

“Eu sempre estive interessado no controle do tamanho das células”, disse Wang, “e a abelha é um modelo fantástico para estudar isso. Essas larvas começam todas no mesmo dia, mas acabam tendo diferenças dramáticas e duradouras no tamanho. Como isso acontece?”

Wang e seus colegas se concentraram em uma proteína – chamada de royalactina – que anteriormente havia sido sugerida como sendo o ingrediente ativo da geleia real. Eles aplicaram a royalactina em células-tronco embrionárias de camundongo para estudar a resposta das células.

“Para que a geleia real tenha um efeito sobre o desenvolvimento da rainha, ela precisa trabalhar com células progenitoras precoces nas larvas de abelhas”, disse Wang. “Então, decidimos ver o efeito que teria nas células-tronco embrionárias”.

Células-tronco embrionárias são potentes, mas volúveis. Quando cultivadas em laboratório, muitas vezes querem abandonar seu estado de células-tronco e se diferenciar em células especializadas. Pesquisadores criaram maneiras de manter as células alinhadas, adicionando moléculas que inibem a diferenciação ao ambiente no qual as células crescem.

Na hora de nomear a descoberta, o coordenador do estudo, Kevin Wang, contou ao jornal The Guardian que sugeriu “Beyoncé” – “um bom nome para uma abelha rainha humana”, afirmou. A cantora pop também é conhecida por Queen Bey, cuja sonoridade se assemelha “queen bee”, ou a abelha rainha, em português. Porém, o nome escolhido foi “Regina”, que significa “rainha” em latim.

Fonte: Universidade de StanfordExame – Ariane Alves

Crédito da imagem em destaque: Cristiano Menezes

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