Apiário Experimental II

Confira abaixo os resultados da iniciativa, divulgados em julho de 2019.

Apiário Experimental II – Apicultura consorciada com cultivos de girassol e nabo forrageiro

Após o sucesso do seu primeiro Apiário Experimental, em 2017, cujos resultados foram divulgados em reportagem do Globo Rural, a A.B.E.L.H.A. decidiu realizar um novo estudo de campo.

Agora, o objetivo era testar outra prática que, em teoria, pode melhorar a produtividade dos apicultores. A ideia era oferecer pasto apícola, ou seja, floradas, o ano inteiro para as abelhas coletarem recursos. A bióloga Katia Aleixo, em parceria com o apicultor José Maurício do Amaral, de Itatinga (SP), queriam saber se essa alimentação natural significava também mais produção de mel.

Ao longo do ano, o grupo A produziu 51% mais mel que o grupo B mantido consorciado com as plantações de girassol e nabo forrageiro nos períodos de entressafra. “Para os apicultores que possuem propriedades ou tenham condições de arrendá-las, o estudo mostra que o ideal é fazer cultivos visando os dois lados, da apicultura e agricultura, como uma maneira eficiente de diversificar a atividade econômica e aumentar os lucros”, avalia Aleixo.

Abaixo, a bióloga apresenta os resultados do Apiário Experimental  II. Você também pode saber mais ouvindo o nosso Podcast A.B.E.L.H.A. sobre o tema:

– 

Link para o Soundcloud: https://soundcloud.com/podcastabelha/apiario-experimental-ii-pasto-apicola

Ouça também nas plataformas:

 

  1. Introdução e justificativa

No segundo ano de projeto com apiários experimentais, nossa intenção foi instalar um apiário em uma área cujas colmeias explorassem floradas o ano todo por meio do plantio de pasto apícola no período de entressafra e outro apiário distante 3 km da área de pasto apícola.

Nos meses de entressafra, é importante que os apicultores pratiquem a suplementação alimentar energética e proteica para garantir a manutenção das colmeias. Uma alternativa de suplementação alimentar é o plantio de cultivos que floresçam nos períodos de entressafra para servirem de pasto apícola. Sendo assim, nós instalamos dois apiários experimentais na cidade de Itatinga, interior de São Paulo, com o objetivo de alimentar as abelhas e verificar se colmeias instaladas em consórcio com cultivos atrativos para as abelhas armazenam mais mel nos períodos de safra comparado a colmeias instaladas fora da área de influência dos cultivos,

  1. Metodologia

Duração do projeto: novembro de 2017 a outubro de 2018.

Floradas exploradas para a produção de mel ou safras: eucalipto e laranja.

Floradas exploradas na entressafra: girassol (cultura de verão, fonte de pólen e néctar) e nabo forrageiro (cultura de inverno, fonte de néctar).

Área plantada de girassol e nabo forrageiro: 7 e 5 ha, respectivamente. Ambas as culturas foram plantadas na mesma área, com diferença cronológica (ver cronograma).

Ciclo de floradas exploradas durante o ano de 2018: girassol, eucalipto, nabo forrageiro, laranja, sendo girassol e nabo forrageiro culturas para manutenção das colmeias do grupo A e eucalipto e laranja para a colheita de mel em ambos os grupos.

  • Fase 1: consórcio com girassol

Em dezembro de 2017, nós instalamos um apiário com 10 colmeias, chamado de grupo A, na área de plantio de pasto apícola. Outro apiário com 10 colmeias, chamado de grupo B, foi instalado a mais de 3 km de distância da área de plantio do pasto apícola. As 20 colmeias foram obtidas de divisões, orfanadas e receberam rainhas novas selecionadas de colmeias produtivas em mel. O objetivo com essa prática foi uniformizar as colmeias de ambos os grupos do ponto de vista produtivo. Feito isso, o grupo A também recebeu alimentação suplementar (energética – açúcar VHP e xarope de açúcar invertido; proteica – ração comercial) até o início da floração do girassol. Sendo assim, o que diferenciou os dois grupos, além da proximidade com o pasto apícola plantado, foi o uso de alimentação suplementar no grupo A até o início da floração do girassol. Em maio de 2018, foram realizadas as coletas de mel do eucalipto e também a plantação do nabo forrageiro.

  • Fase 2: consórcio com nabo forrageiro

 As colmeias do grupo A permaneceram na área de plantio de pasto apícola, formado nesta segunda fase pelo nabo forrageiro, enquanto que as colmeias do grupo B permaneceram na área distante a mais de 3 km da área de cultivo do nabo. Nesta fase não foi realizada suplementação alimentar com xarope de açúcar e ração proteica e as abelhas exploraram somente as plantas em flor no ambiente. A floração do nabo forrageiro terminou em julho de 2018 e em agosto do mesmo ano tanto as colmeias do grupo A quanto as colmeias do grupo B foram migradas para uma área próxima a um cultivo de laranja para a exploração do mel dessa cultura.

 

Api%C3%A1rio II girassol e nabo

Api%C3%A1rio II laranja

  1. Resultados da coleta de mel

Fase 1: coleta de mel no eucalipto (ano de 2018, o mel de eucalipto foi comercializado a R$8,00)

Grupo A: 179 kg (R$ 1432,00)

Grupo B: 116 kg (R$ 928,00)

Grupo A produziu 54% mais mel que o grupo B mantido consorciado com a plantação de girassol.

 

Fase 2: coleta de mel na laranja (ano de 2018, o mel de laranja foi comercializado a R$12,00)

Grupo A: 77 kg (R$ 924,00)

Grupo B: 53 kg (R$ 636, 00)

Grupo A produziu 45% mais mel que o grupo B mantido consorciado com a plantação de nabo forrageiro.

 

Total (soma do mel produzido no eucalipto e laranja)

Grupo A: 256 kg (R$ 2356,00)

Grupo B: 169 kg (R$ 1564,00)

Ao longo do ano, o grupo A produziu 51% mais mel que o grupo B mantido consorciado com as plantações de girassol e nabo forrageiro nos períodos de entressafra.

 

  1. Conclusão

Colmeias instaladas em consórcio com cultivos atrativos para as abelhas nos períodos de entressafra armazenaram mais mel nos períodos de safra comparado a colmeias instaladas fora da área de influência dos cultivos. Sendo assim, é viável manter cultivos com o objetivo de alimentar as abelhas.

Nós apenas quantificamos o retorno financeiro com a produção do mel comparando colmeias alimentadas com os cultivos e colmeias não alimentadas. Considerando os custos com arrendamento, insumos e serviços agrícolas não houve lucro significativo. No entanto, o apicultor terá um retorno financeiro positivo proporcional ao tamanho da área cultivada, à quantidade de colmeias produtivas consorciadas com os cultivos e o aproveitamento da produção desses cultivos, como por exemplo, a comercialização de sementes de girassol ou uso das plantas para silagem.

A apicultura no Brasil tem sido praticada principalmente para a produção de mel. Com os conhecimentos obtidos nesse experimento os apicultores podem consorciar a apicultura voltada para a produção de mel com a apicultura voltada para a polinização de cultivos agrícolas. Dessa maneira, os cultivos se beneficiam do trabalho das abelhas, resultando no aumento da quantidade e qualidade de frutos e sementes, e, ao mesmo tempo, servem de pasto apícola nos períodos em que florescem. Para os apicultores que possuem propriedades ou tenham condições de arrendá-las, como foi o nosso caso, o ideal é fazer cultivos visando os dois lados, da apicultura e agricultura, como uma maneira eficiente de diversificar a atividade econômica e aumentar os lucros.

Cronograma

Api%C3%A1rio II cronograma

 

 

 

 

 

 

Kátia Aleixo e José Maurício do Amaral