“Não abelhas” são tão importantes quanto abelhas para a polinização

“Não abelhas” são tão importantes quanto abelhas para a polinização

4 de dezembro de 2015

Embora as abelhas sejam reconhecidamente os principais polinizadores, a contribuição de outros insetos, aves e até mamíferos têm sido ainda pouco usufruídas, apesar de seu potencial para incrementar a produção de culturas agrícolas e produção de alimentos. Polinizadores “não abelhas” incluem moscas, besouros, traças, borboletas, vespas, formigas, pássaros e morcegos, entre outros.

Tal conclusão é o resultado de um estudo, publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, que reuniu pesquisadores de diversos países, incluindo brasileiros. Para tanto, os cientistas avaliaram 39 estudos de campo, de cinco continentes, que mediram diretamente os serviços de polinização de culturas fornecidos por “não abelhas”, abelhas melíferas e outras abelhas e compararam as contribuições de cada um desses grupos.

A equipe analisou os dados de 17 culturas que dependem de polinizadores. Uma série de fatores foi medida, incluindo taxas de visitação, eficácia, contribuição para a produtividade e relação com habitat.

beetle Os pesquisadores descobriram que os “não abelhas” realizaram de 25% a 50% do total de visitas às flores. Embora eles tenham sido menos eficazes no depósito de pólen a cada visita, o número de visitas foi bem maior do que o das abelhas, o que aponta para um equilíbrio entre os grupos no serviço de polinização.

A coordenadora do projeto, Romina Rader, da Universidade de New England, afirmou que os “não abelhas” são às vezes tão numerosos que podem ter um maior efeito total em comparação com as abelhas.

“A razão pela qual eu dei início a este projeto foi a minha própria observação dos visitantes de algumas culturas e a constatação de quão abundantes os “não abelhas” eram em determinados locais, momentos específicos do dia e em condições de habitat particulares”.

“Com o declínio global das populações de abelhas, outros insetos mais resistentes, e que não dependem fortemente de habitat vulneráveis, ​​podem fornecer uma espécie de “seguro de polinização” em face à mudança ambiental”.

Os pesquisadores Blandina Viana, da Universidade Federal da Bahia, e Breno Freitas, da Universidade Federal do Ceará, conselheiros da A.B.E.L.H.A., integraram o time internacional.

Fonte: ABC Science e PNAS

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