Meliponicultura no Brasil

Abelhas do Brasil

O Brasil conta com aproximadamente 250 espécies de abelhas pertencentes à tribo Meliponini, chamadas popularmente de abelhas sem ferrão. Algumas destas espécies são criadas para a produção de mel, que tem sido cada vez mais valorizado para fins gastronômicos.

Além disso, elas cumprem um papel muito importante na polinização de plantas, cultivadas ou não, permitindo a produção de sementes de várias espécies, muitas das quais fundamentais para a alimentação humana. Sem a colaboração dessas abelhas, muitas plantas deixam de produzir frutos e sementes, podendo inclusive chegar à extinção.

Meliponini

Os Meliponíneos se dividem em dois grandes grupos. O primeiro é caracterizado pela presença de célula real, uma célula de cria maior em altura e diâmetro das demais células e onde uma rainha é criada. Esse grupo é o mais diverso em número de espécies e inclui os gêneros Trigona, Tetragonisca, Scaptotrigona, Nannotrigona, Oxytrigona, Cephalotrigona, Friesella, Frieseomelitta, Aparatrigona, Schwarziana, Paratrigona e muitos outros. Algumas delas são muito agressivas, como a Oxiotrigona tataíra (caga-fogo), que ao ser manejada libera uma substância ácida que queima a pele.

O segundo grupo é formado pelo gênero Melipona, caracterizado por não apresentarem célula real. Todas as células de cria possuem mesmo tamanho e contém similar volume de alimento larval. Assim, até 25% das crias femininas de um favo podem nascer como rainhas. Algumas espécies destas abelhas podem produzir aproximadamente 8 litros de mel.

Meliponicultura

As espécies mais conhecidas, como a jataí, mandaçaia, manduri, a mandaguari e a uruçu, constroem geralmente seus ninhos em cavidades existentes em troncos de árvores. Outras utilizam formigueiros e cupinzeiros abandonados ou constroem ninhos aéreos presos a galhos ou paredes.

Historicamente, muitas dessas abelhas sofreram uma exploração predatória por meleiros, com a retirada do mel sem o manejo correto e consequente destruição das colônias, o que contribuiu para a diminuição das populações em algumas regiões.

No decorrer do tempo, a exploração predatória cedeu espaço para a meliponicultura, que além de permitir a produção dos diversos tipos de mel, ainda contribui para a conservação das diferentes espécies. No Nordeste brasileiro, em especial nos estados do Maranhão, Rio Grande do Norte e Pernambuco, há diversos polos bem sucedidos de meliponicultura que exploram espécies locais como a tiúba, a jandaíra e a uruçu.

Clima tropical

As abelhas sem ferrão ocupam grande parte das regiões de clima tropical do planeta. Ocupam também algumas importantes regiões de clima subtropical, como porções do Sul do Brasil e Argentina e o Norte do México.

Desde o século XIX, houve diversas tentativas de aclimatação de abelhas indígenas sem ferrão em outras regiões do mundo. Em 1872, o naturalista francês Louis Jacques Brunet enviou colônias para a região de Bordeaux. Devido aos rigores do inverno europeu, as abelhas não sobreviveram por muito tempo.

Nos anos 50, algumas colônias foram enviadas para localidades norte-americanas no Arizona, Califórnia e Utah, entre outros. Algumas sobreviveram até oito anos.

 

Proteção da biodiversidade

O Brasil possui uma grande diversidade de abelhas sem ferrão, com imensa variedade de comprimento de língua e preferências florais. Graças a essas características, essas abelhas exercem um papel importante na preservação da biodiversidade ao realizar a polinização em ambientes naturais.

Em razão dessa relação direta, elas também correm risco com as agressões realizadas contra os ecossistemas. Na Caatinga, as abelhas sofrem com a devastação que destrói árvores usadas como ninhos, além da ação predatória de meleiros, que exploram as colmeias de uma maneira destrutiva e nada sustentável.

Para tentar reverter o quadro, alguns programas de compensação ambiental começaram a contemplar árvores específicas que servem para a nidificação de abelhas sem ferrão. Além disso, é necessário que a preservação dos polinizadores entre oficialmente na pauta dos negócios agrícolas e como peça-chave da agricultura sustentável.

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