Perguntas Frequentes

01. O que é a Associação A.B.E.L.H.A.?

Criada em abril de 2014, a Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.) é uma associação civil, sem fins lucrativos e sem nenhuma conotação político-partidária ou ideológica.

02. Qual é a missão da Associação A.B.E.L.H.A.?

A Associação A.B.E.L.H.A. tem como missão reunir, produzir e divulgar informações, com base científica e a colaboração de uma rede de parceiros, que visem à preservação das abelhas e outros polinizadores no Brasil, promovendo seu papel na biodiversidade e sua convivência harmônica e sustentável com as diferentes culturas agrícolas.

 

03. Quais são os objetivos da Associação A.B.E.L.H.A.?
  • Liderar a criação de uma rede em prol da conservação de abelhas e outros polinizadores, e manter amplo diálogo com todas as partes interessadas, entre elas representantes do setor de apicultura, do agronegócio, da academia e da sociedade.
  • Captar e gerar informações com base científica a fim de reuni-las em uma plataforma de conhecimento sobre abelhas e outros polinizadores, e tornar-se fonte de consulta e agente de conscientização para a sociedade.
  • Apoiar pesquisas e estudos sobre o tema.
  • Estabelecer aproximação com os órgãos reguladores e de fiscalização da apicultura e do agronegócio.
    Aprofundar o conhecimento sobre a apicultura e fomentar a produção de mel no Brasil.
04. Quem pode participar da A.B.E.L.H.A.?

Qualquer pessoa que tenha interesse em qualquer aspecto relativo às abelhas pode se associar.

 

05. Como faço para me associar à A.B.E.L.H.A.?

Os interessados em fazer parte da Associação A.B.E.L.H.A. devem preencher um formulário e aguardar o nosso retorno com todas as informações necessárias.

06. Quais abelhas são criadas no Brasil?

A espécie de abelha mais comum, no Brasil e no mundo, é a Apis mellifera. Também são criadas as abelhas sem ferrão, que são menores e menos produtivas, mas o mel que produzem, líquido e com um sabor ligeiramente ácido, é muito apreciado nos meios gastronômicos. Além das abelhas sociais, há um crescente interesse na criação de outras abelhas como as abelhas carpinteiras (do gênero Xylocopa) e as solitárias (como as do gênero Centris).

07. Quais subespécies de Apis existem no Brasil?

Predomina no Brasil uma raça híbrida entre a A. m. scutellata, de origem africana, e raças europeias como a A. m. mellifera, a A. m. ligustica (popularmente conhecida como “italiana”) e a A. m. carnica. O poli-híbrido resultante, a abelha africanizada, manteve muitas das características da subespécie africana, como alta produtividade, alta capacidade de enxameação, maior resistência a doenças e patógenos e maior agressividade.

08. Como essas abelhas se desenvolveram?

As abelhas africanas A. m. scutellata foram introduzidas no Brasil em 1956 para uma experiência de aprimoramento genético. Por falhas de manejo, os enxames abandonaram as colmeias e passaram a viver livres na natureza. A partir disso, diversos cruzamentos de zangões africanos com rainhas europeias deram início a uma longa e impressionante ocupação do continente americano. Em 1990, as abelhas africanizadas chegaram à fronteira sul dos EUA, tendo percorrido cerca de 8.000 km em 34 anos.

09. As abelhas africanizadas são mais agressivas?

Sim, mas em intensidade variada. Há enxames mais agressivos e outros menos.

10. O que são as castas de abelhas?

Casta consiste na diferenciação comportamental, e morfológica na grande maioria das espécies sociais, entre as fêmeas que compõem uma colônia. Assim, temos duas castas: as rainhas, responsáveis pela postura de ovos, e as operária, que exercem diversas tarefas para o crescimento e a manutenção da colônia: construção de células de cria, alimentação da cria, coleta de alimento, defesa do ninho.

11. O que diferencia a rainha das operárias?

A rainha é muito maior que as operárias. Uma rainha é produzida pelas operárias de abelhas melíferas, sempre que necessário, a partir de uma larva jovem de até 3 dias de vida. A larva se transformará numa rainha devido a uma alimentação diferenciada em termos de quantidade e qualidade. No caso da grande maioria das abelhas sem ferrão, as células de cria onde as rainhas serão criadas recebem mais alimento do que células das operárias.

12. O que é uma princesa?

É uma rainha virgem, que ainda não foi fecundada.

13. Como é a fecundação da rainha?

Poucos dias depois de nascer, a princesa de abelha melífera faz seu voo nupcial, no qual copula com diversos zangões. Depois disso, volta pra colmeia e pode voar algumas vezes, embora não seja comum. Já as rainhas das abelhas sem ferrão realiza apenas um voo nupcial e se acasala com apenas um macho.
O sêmen introduzido nas rainhas fica armazenado pelo resto da sua vida reprodutiva num órgão chamado espermateca. No momento da postura, o óvulo que desce pelo oviduto será fertilizado por um espermatozoide da espermateca. Óvulos fertilizados por um espermatozoide dará origem à uma fêmea (operária ou rainha) e àqueles não fertilizados originarão machos.

14. Os zangões nascem de ovos não fertilizados?

Sim, o processo chama-se partenogênese e acontece também com vespas e formigas. O indivíduo que nasce não tem pai e é haplóide, ou seja, possui metade dos cromossomos de sua mãe.

15. Qual é a função dos zangões?

Eles servem apenas para a reprodução, já que não defendem a colônia – não possuem ferrão –, nem coletam alimento ou outros recursos para a colônia.

16. Como identificar um zangão?

No caso das abelhas melíferas, o zangão é maior que as operárias e pode ser confundido com a rainha por apicultores inexperientes. Contudo, seu corpo é mais largo e o abdome mais achatado. Seus olhos compostos são maiores e estão concentrados no topo da cabeça.

17. Qual é a função da rainha?

A rainha dá origem a todos os indivíduos da colmeia, pela postura de ovos fertilizados (operárias e novas rainhas) e não fertilizados (zangões). Além disso, a sua presença e os feromônios que exala determinam o comportamento das demais abelhas.

18. Quantos ovos a rainha põe por dia?

No auge, uma rainha de abelha melífera chega a pôr dois mil ovos por dia.

19. O que acontece quando a rainha morre?

A rainha pode morrer acidentalmente durante um manejo de rotina do apicultor. Quando o seu desempenho é considerado insatisfatório, as próprias abelhas podem matá-la. Em ambas as situações, as abelhas produzem uma nova rainha a partir de uma larva jovem de operária, no caso das abelhas melíferas.

20. E se não houver uma larva jovem?

Se não houver uma larva disponível, ou se as rainhas produzidas não sobreviverem por qualquer motivo, o enxame não será mais capaz de produzir uma nova rainha. Neste caso, as operárias começam a por ovos e, como estes não são fecundados, geram apenas zangões, o que acarretará na morte da colmeia.

21. Qual é a função das operárias?

Elas são responsáveis pelo trabalho dentro e fora das colmeias. Quando jovens, ficam com os trabalhos internos de limpeza e manutenção. Depois que envelhecem, passam a se dedicar à coleta de néctar, pólen, água e resina.

22. Quanto tempo vive uma abelha?

Durante a safra, uma operária africanizada vive, em média, 38 dias. Na entressafra, a expectativa de vida aumenta, e elas chegam a viver 5 meses ou mais em climas muito frios.

23. Como as abelhas se comunicam?

Principalmente por meio de interações químicas. Essas interações se processam pela produção de feromônios, substâncias secretadas por diversas glândulas que são percebidas pelos receptores olfativos presentes nas antenas. Os feromônios são o principal meio de estimulação e coordenação de quase todas as atividades das abelhas. Os feromônios produzidos pela rainha, por exemplo, inibem a construção de realeiras (células especiais para o desenvolvimento das futuras rainhas) pelas operárias, inibem o crescimento dos ovários das operárias, atraem as operárias em geral e particularmente as nutrizes, que alimentam a rainha com geleia real. Os feromônios produzidos pelas rainhas virgens atraem zangões nos voos nupciais.

24. O que é a dança das abelhas?

Além dos feromônios, as abelhas usam interações táteis e sonoras para se comunicar. A dança das abelhas serve geralmente para indicar uma fonte de alimento. Nessa dança, a abelha percorre um trecho reto do favo “requebrando-se” e depois volta ao início desse trecho num trajeto de semicírculo. Em seguida, percorre de novo o mesmo trecho reto e volta em outro semicírculo, mas desta vez pelo lado oposto. Ao analisar a disposição da dançarina, o tempo gasto na dança, a trajetória e o número de execuções, as abelhas saberão a qualidade, a distância e a direção, onde a fonte de alimento se encontra.

25. O que as abelhas ingerem?

Basicamente, néctar e mel, como fonte de carboidratos, e pólen, como fonte de proteínas, gorduras, vitaminas e minerais, além de água.

26. Por que as abelhas abandonam a colmeia?

Quando as abelhas são submetidas a um nível de estresse ou privação muito grande, elas podem abandonar a colmeia e tentar a sorte em outro lugar. Uma causa comum é o calor excessivo. Períodos de carência alimentar ou de seca muito prolongados e ataque de pragas, como formigas, também podem motivar o abandono da colmeia.

27. Às vezes as abelhas matam a sua rainha. Por que isso acontece?

Diversos fatores podem provocar a substituição da rainha. Quando ela já não produz feromônios em quantidade suficiente, as abelhas podem decidir trocá-la. Também quando o seu desempenho é baixo (postura deficiente) ou o seu estoque de espermatozoides acaba (ela só consegue produzir zangões). Em alguns casos, as abelhas parecem culpar a rainha por algum distúrbio maior na colmeia, e liquidam-na por “embalamento”: formam uma ‘bola’ ao seu redor até sufocá-la. Invariavelmente, o propósito parece ser sempre obter uma rainha melhor que a atual.

28. Qual distância uma abelha percorre para coletar néctar?

Três quilômetros é uma distância máxima frequentemente mencionada, mas as abelhas podem voar mais do que isso se necessário. Economicamente, quanto mais próximas estiverem as flores, melhor, pois as abelhas consumirão menos mel durante a atividade da coleta.

29. Um ataque de abelhas pode ser fatal?

Existem pessoas hipersensíveis que podem morrer em decorrência de uma única ferroada, mas isso é raro. A ciência estima que a dose letal mediana fica em torno de 19 ferroadas por quilo, em relação a indivíduos adultos.
Na maioria das vezes os ataques se tornam fatais quando, por algum motivo, a vítima não consegue fugir. Por isso, é importante redobrar a atenção a crianças, pessoas com mobilidade reduzida e animais presos que estão próximos a enxames agressivos.

30. É verdade que a abelha melífera morre depois de ferroar uma vítima?

Sim, o ferrão é uma estrutura que se parece com um arpão e que fica cravado na vítima. Ao se desprender, a abelha deixa não apenas o ferrão, mas também o saco de veneno e parte do seu aparelho digestivo. Depois do ataque, abelha morre em horas.

31. Só as operárias ferroam, ou a rainha também pode atacar? E os zangões?

Sim, os ataques sempre são realizados pelas abelhas operárias. Em condições normais, uma rainha ferroa apenas outra rainha numa disputa pelo controle da colmeia. Zangões não atacam porque não possuem ferrão.

32. Por que as abelhas atacam?

As abelhas ferroam quando sentem que a sua integridade, ou a de sua colmeia, está ameaçada. Uma abelha só ferroa longe da colmeia quando é molestada ou quando saiu de uma colmeia que foi atacada.

33. O que pode provocar as abelhas?

Vibrações de motores, odores fortes, movimentos bruscos e cores escuras podem perturbar as abelhas. A incidência direta do dióxido de carbono por humanos também pode ser um fator. Sempre que possível, evite soprar diretamente sobre as abelhas.

34. Como agir em caso de ataque coletivo?

Procure entrar na água ou correr em zigue-zague pela vegetação para tentar despistá-las ou fazê-las desistir. Mantenha distância sempre que avistar um enxame e procure não fazer barulhos. Caso o enxame esteja perto de local habitado, procure ajuda no Corpo de Bombeiros ou com algum apicultor experiente.

35. O que fazer quando levar uma ferroada?

Se possível, tente arrancar o ferrão, pois normalmente ele é deixado junto com o saco de veneno e sua retirada impedirá que mais veneno seja injetado. Também é recomendável limpar o local para retirar os feromônios de alarme depositados que podem provocar novas ferroadas. De qualquer forma, procurar ajuda médica é sempre recomendável.

36. O que é o veneno da abelha?

A apitoxina é o princípio ativo do veneno das abelhas. É basicamente composto por uma ampla mistura de enzimas, proteínas e outras moléculas menores.

37. Como o veneno atua?

Ele é injetado pelas abelhas, com o auxílio do ferrão, nos seus predadores. Algumas de suas substâncias causam dor, enquanto outras provocam uma reação alérgica de intensidade variável, que depende do porte e da sensibilidade da vítima. Junto com a injeção do veneno, há a liberação do feromônio de alarme, que avisa as outras abelhas sobre a presença de intrusos.

38. O veneno possui propriedades terapêuticas?

Existem pesquisas e terapias alternativas que utilizam a apitoxina no tratamento de alguns tipos de artrite, reumatismos e na dessensibilização de pacientes alérgicos a picadas de abelhas.

39. O que é apicultura?

É a criação de abelhas Apis para fins de produção de mel e derivados ou para serviços de polinização.

40. A apicultura é uma atividade perigosa?

A apicultura praticada com os critérios de segurança conhecidos oferece menos perigos que muitas profissões. O problema é quando uma pessoa resolve manejar as abelhas sem conhecer a atividade. Em razão dos riscos, todo candidato a apicultor deve buscar um bom curso teórico-prático.

41. O que é meliponicultura?

É a criação racional (sustentável) das abelhas nativas sem ferrão.

42. Qual potencial brasileiro para a meliponicultura?

Imenso, uma vez que o país conta com mais de 300 espécies de abelhas nativas, a maior diversidade do mundo. Além disso, a criação de abelhas sem ferrão já era realizada em diversas localidades muito antes da chegada das abelhas Apis no século XIX.

43. O mel de abelhas sem ferrão é um produto reconhecido pelo Ministério da Agricultura?

Falta normatização. O Ministério reconhece a classificação “mel de abelha nativa”, mas ainda não estabeleceu padrões de identidade que reconheçam os tipos de abelhas e as características de cada mel. Estes são necessários, pois há muitas diferenças entre os diversos tipos de mel produzidos pelas diversas espécies de abelhas sem ferrão.

44. Quais são os principais tipos de mel de abelhas indígenas?

A abelha jataí produz o mel de abelha sem ferrão mais popular, que se caracteriza pelo sabor frutado e acidez. Produzido em diversas regiões brasileiras, é considerado típico do Sudeste. De origem semelhante, o mel produzido pela mandaçaia se destaca pela baixa acidez e pelo sabor floral e menos doce.
Os méis mais conhecidos da Região Norte são o de uruçu-cinzenta e de uruçu-boca-de-renda. O primeiro é frutado e relativamente doce, enquanto o segundo apresenta um aroma floral bastante intenso.
O mel de guaraipo, floral e frutado com toques de amargor, e o de bugia, herbáceo e com notas de especiarias, são típicos dos estados do Sul.
No Nordeste o destaque fica para o mel de jandaíra, frutado e com notas de cravo. Também tem o apreciado mel de uruçu. Já no Centro-Oeste se encontram criações de abelha canudo que produzem um mel extremamente ácido e com intensas notas cítricas.

45. Onde posso comprar mel de abelhas indígenas?

Hoje em dia é possível encontrar mel de abelhas nativas em lojas de produtos naturais das grandes cidades brasileiras. Por meio de pesquisa na internet também é possível localizar produtores que enviam o mel diretamente para o consumidor em qualquer região do país.

46. O que é o pólen?

É a célula reprodutiva (gameta) masculina das plantas com flores. Ele é produzido pelas anteras e deve alcançar o ovário da flor, (da mesma ou de outra planta da mesma espécie), para que ocorra a fecundação e a posterior formação de frutos e sementes. Este processo é chamado de polinização e ele ocorre, na grande maioria das vezes com a ajuda de agentes externos, como o vento, a chuva e animais que se alimentam do pólen ou do néctar, como as abelhas.

47. Como as abelhas ajudam na polinização?

Quando a abelha pousa numa flor para coletar néctar ou pólen, grãos de pólen ficam presos nos seus pelos. Em razão do movimento da abelha entre as flores, os grãos podem ser levados ao estigma da mesma flor ou de outra. Essa ação da abelha é involuntária e, a polinização, um resultado acidental.

48. Como o pólen é armazenado pelas abelhas?

As pelotas de pólen são empilhadas nos alvéolos logo acima da área de cria das abelhas melíferas. Ao pólen, são adicionadas algumas secreções glandulares e uma fina cobertura de mel. Nos ninhos de abelhas sem ferrão, as pelotas de pólen são armazenados em potes especiais, construídos com cerume, e onde sofrerá um processo de fermentação.

49. O que é flora apícola?

É um conjunto de plantas interessantes para as abelhas. Normalmente, essas plantas são classificadas como nectaríferas ou poliníferas, mas as boas produtoras de resina também podem ser incluídas. Outras plantas que devem compor a flora apícola são aquelas que não se enquadram propriamente em nenhum dos tipos acima, mas são hospedeiras habituais de insetos que produzem um pseudonéctar (melato), que é coletado pelas abelhas.

50. O que é o calendário apícola?

O calendário determina os ciclos de floração de uma região por espécie. Em geral, muitas plantas florescem ao mesmo tempo, criando períodos de fartura de alimento que podem resultar em colheita para o apicultor. Esses períodos são chamados de safras. Em contrapartida, os períodos em que a quantidade de alimento disponível para as abelhas diminui são chamados de entressafras.

51. Qual a importância do calendário apícola?

As principais ações de manejo, como alimentação artificial, troca de rainhas e substituição de quadros, por exemplo, são decididas a partir do calendário apícola.

52. O que é o mel?

Segundo Instrução normativa nº 11 de 20 de outubro de 2000, entende-se por mel, o produto alimentício produzido pelas abelhas, a partir do néctar das flores ou das secreções procedentes de partes vivas das plantas ou de excreções de insetos sugadores de plantas que ficam sobre partes vivas de plantas, que as abelhas recolhem, transformam, combinam com substâncias específicas próprias, armazenam e deixam madurar nos favos da colmeia.

53. O que é o néctar?

Néctar é uma solução de açúcares, principalmente sacarose, glicose e frutose, em água em proporção que varia de 3 a 87%. Ele contém ainda diversas outras substâncias complexas, que determinam o seu aroma, sabor e características nutritivas.

54. É possível identificar se o mel é puro?

Sim, mas apenas testes físico-químicos podem atestar a pureza do mel. Nenhum teste popular pode garantir a pureza do produto. É aconselhável comprar o produto de fornecedores confiáveis.
Méis com abelhas no seu conteúdo, ou que ficam ao sol em exposição nas estradas ou ainda em potes ou vidros reutilizados não são confiáveis quanto à qualidade.

55. Existe algum selo de certificação do governo?

O selo de fiscalização federal, estadual ou municipal indica que a empresa produtora está devidamente registrada e é fiscalizada, podendo ser contatada em caso de dúvidas, informações e reclamações.

56. Quais as informações mais importantes dos rótulos?

Deve-se verificar em primeiro lugar o selo de fiscalização federal, estadual ou municipal; o nome da empresa produtora, ou seja, do Entreposto de Mel e Cera de Abelha, seu endereço e CNPJ. O mel conservado adequadamente não estraga, mas o Ministério da Agricultura estabelece a validade de dois anos.

57. Como o mel deve ser conservado em casa?

O ideal é armazená-lo em frasco bem fechado e guardado em local escuro e fresco.

58. Por que o mel cristaliza?

A cristalização é um processo natural que ocorre porque o mel é uma solução supersaturada de açúcar, que contém mais açúcares do que pode permanecer em solução. Isso faz da solução uma mistura instável, e ela, ocasionalmente, pode retornar à estabilidade por meio da cristalização. Isto ocorre com a perda de água por parte da glicose, que se transforma em monoidrato de glicose e toma a forma de cristal.
Entretanto, nem todo mel cristaliza. Como o açúcar responsável pela cristalização é a glicose, a relação entre a sua quantidade e a de água no mel é que determina se o mel cristalizará ou não.

59. Como descristalizar o mel? Esse processo afeta sua qualidade?

O mel pode ser consumido cristalizado sem nenhum tipo de problema. Caso se decida por descristalizar, basta aquecê-lo em banho-maria, tomando-se o cuidado de não deixar a água ferver, pois a temperatura elevada prejudica o sabor e as propriedades nutritivas do mel. Jamais use o forno de micro-ondas e atente para que a temperatura do mel não ultrapasse 40ºC.

60. Por que alguns méis cristalizam rapidamente e outros demoram muito tempo?

Nos lugares de clima frio ou temperado o mel cristaliza com mais rapidez, enquanto nos climas quentes o processo é muito mais lento.
Outros fatores são a umidade e a florada. O mel de laranjeira demora às vezes anos para cristalizar; já o de eucalipto chega a cristalizar dentro do próprio favo na época de inverno.

61. Quais as propriedades terapêuticas do mel?

Existe muita controvérsia nessa questão. Ele pode auxiliar no tratamento de úlceras, ferimentos e queimaduras, em razão da sua atividade antimicrobiana. Possui também efeitos positivos sobre a nutrição, favorecendo a assimilação do cálcio, a digestão dos alimentos e a retenção do magnésio, além de aumentar o apetite. É ligeiramente laxativo, auxilia no crescimento, aumenta o teor de hemoglobina no sangue e o vigor muscular.

62. O mel apresenta contraindicações?

Sim. Pessoas diabéticas com altas taxas de açúcar não são aconselhadas a consumir mel sem rigoroso controle médico. Em razão de estudos realizados nos Estados Unidos, não se recomenda mel para crianças menores de um ano, pois existe a probabilidade de transmissão do botulismo infantil.

63. O mel possui propriedades cosméticas?

Desde o Egito antigo o mel é utilizado para fins cosméticos. O mel tem um efeito imediato de hidratação, tonificação e amaciamento da pele. O mel produz efeitos benéficos para o cabelo e couro cabeludo. Outros produtos apícolas, como o extrato de própolis, também apresentam aplicações cosméticas interessantes.

64. O que é mel orgânico?

É um mel produzido segundo normas específicas que o qualificam como um produto isento de contaminações químicas e biológicas indesejáveis.
Para produzir um mel que possa receber o título de “orgânico”, o apicultor deve passar por um processo de certificação. Isso é feito por algumas empresas que enviam inspetores que analisam tecnicamente as condições do apiário e sugerem adequações para a conversão do apiário convencional em orgânico. Atendidas as exigências e depois de um período de carência, a empresa certifica o apiário.
Essa certificação dá ao apicultor o direito de usar um selo especial no seu produto, identificando-o como orgânico perante os consumidores. Entre os critérios exigidos, está a proibição de lavouras de manejo convencional num raio de 3 km do apiário. Para a manutenção do certificado, as inspeções são repetidas frequentemente.

65. Quais as diferenças entre um tipo de mel e outro?

A composição do mel é influenciada pelas características do solo, clima e pela fonte do néctar. Esses fatores podem alterar a cor, acidez, aroma, umidade, sabor, viscosidade e até o tempo que ele demora para cristalizar. Com tantas variáveis, o mel é comparável ao vinho pelas diferenças que pode apresentar de uma safra para outra.

66. Quais as abelhas que produzem o mel que encontramos no comércio?

O mel mais encontrado no mercado é o proveniente da espécie Apis mellifera africanizada. Essas abelhas não são nativas do Brasil. São resultantes do cruzamento de raças europeias com abelhas da raça africana que foram introduzidas em 1956 com o intuito de aumentar a produção de mel através de cruzamentos selecionados.
Com menos frequência, encontramos no comércio outros méis que possuem características diferentes, como o das abelhas nativas sem ferrão, pertencentes à tribo Meliponini. O mais conhecido e apreciado é o da abelha jataí.

67. Qual a diferença entre o mel da abelha Apis melífera e o produzido pela abelha indígena jataí?

Os méis das abelhas sem ferrão costumam apresentar mais água em sua composição, com taxa de umidade em torno de 27%, enquanto o mel de abelha Apis fica entre 17% a 20%.
Além disso, o mel de abelha jataí é muito saboroso e considerado menos enjoativo. Alguns trabalhos indicam que ele possui uma ação antibacteriana superior a do mel comum.
Atualmente, os méis de abelhas sem ferrão estão sendo muito valorizados para fins gastronômicos e integram diversas receitas de restaurantes prestigiados.

68. O que é a própolis?

É uma substância resinosa coletada pelas abelhas em uma grande variedade de plantas, especialmente em brotos de árvores. Dentro da colmeia, essa substância é manipulada pelas abelhas e misturada a um pouco de cera a fim de adquirir a consistência ideal para vedar frestas e impedir a entrada de frio ou de inimigos naturais.

69. Quais são as propriedades da própolis?

Entre suas propriedades terapêuticas e biológicas, ela apresenta atividade antibiótica, anti-inflamatória, anestésica, antioxidante e cicatrizante.

70. O que é a cera?

Cera é uma substância produzida pelas glândulas cerígenas das operárias. Para produzi-la, as operárias das abelhas melíferas convertem o açúcar consumido sob forma de mel, num processo de baixa eficiência – cerca de 8 kg de mel precisam ser consumidos para a produção de 1 kg de cera. Ela serve para construir os favos e, quando misturada à própolis, se torna uma substância ideal para vedar algumas partes da colmeia.

71. Qual a utilidade da cera para o homem?

A cera vem sendo intensamente utilizada na produção de cosméticos e medicamentos, além de aplicações específicas em marcenaria e na pintura de tecidos.

72. O que é a geleia real?

Substância produzida pelas operárias jovens das abelhas melíferas para alimentação da rainha, ela conta com secreções mandibulares e hipofaringeanas das abelhas. Em comparação com o alimento das crias jovens, possui um teor muito maior de substâncias importantes como o ácido pantotênico e a biopterina.

73. Qual a utilidade da geleia real?

É um alimento complexo que conta com uma composição variada, com carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais. Alguns estudos apontam evidências de que a geleia real pode ser eficiente como estimulante ou para tratamento de distúrbios neurológicos, endócrinos, digestivos e hematopoiéticos. Também apresenta ação preventiva contra o envelhecimento precoce e é eficaz nos casos de anemia. Ainda possui propriedades cosméticas muito exploradas pela indústria, principalmente para a produção de cremes tópicos.

74. As abelhas estão desaparecendo do planeta? Correm risco de extinção?

Em razão dos rigores do inverno no Hemisfério Norte, sempre houve variações sazonais no número de abelhas, com sensível diminuição de indivíduos durante a estação mais fria do ano.
Além desse fator climático, no decorrer do século XX foram observadas diversas situações em que houve bruscas reduções na quantidade de ninhos de abelhas.
De maneira geral, esses eventos foram analisados de maneira pontual, sem que fossem caracterizados como uma tendência irreversível.
Contudo, nos últimos dez anos verificou-se uma série de ocorrências em países da Europa e América do Norte que resultaram em drásticas diminuições no número de colmeias, especialmente entre aquelas utilizadas em um sistema migratório de polinização de culturas.
Este fenômeno foi denominado pela comunidade científica como CCD (sigla em inglês para Colony Collapse Desorder) ou Síndrome do Colapso das Colônias.

75. O que é CCD?

O CCD é um fenômeno que vem intrigando a comunidade científica. Ele se caracteriza pelo abandono das colônias sem uma razão aparente.
A colmeia é deixada para trás, mesmo com crias e alimento suficiente para seus moradores. Em certas situações, foram encontradas apenas a rainha e algumas abelhas que tinham acabado de nascer.
Não se encontram na colmeia ou nas proximidades cadáveres de abelhas mortas, nem indícios de doenças ou vestígios da ação de predadores. E a colmeia vazia não é saqueada posteriormente por insetos parasitas, como normalmente acontece em casos de abandono de colmeias.

76. Quais as causas para o CCD?

Diversos grupos de cientistas têm se debruçado sobre a questão e ainda não há estudos conclusivos. As hipóteses mais aceitas apontam para uma conjunção de fatores.
Como a maioria das ocorrências foram registradas com abelhas que viajam grandes distâncias para cumprir uma agenda de polinização, acredita-se que o estresse causado pelos longos deslocamentos acabou debilitando o sistema imunológico das abelhas. Esta hipótese acabou reforçada pela desconfiança de que ácaros, parasitas que atacam com frequência as colmeias, estariam transmitindo um vírus.
A baixa diversidade genética é outro fator prejudicial, pois faz que toda a espécie seja suscetível às mesmas infestações. Por fim, como essas abelhas vivem quase que exclusivamente em monoculturas, sua alimentação acaba ficando limitada, com pouca variedade de flores, o que acaba contribuindo para intensificar sua fragilidade.
O fato de que as colmeias abandonadas não sofrem saques, apesar da alimentação disponível, fez com que os defensivos agrícolas entrassem para o rol de suspeitos, uma vez que esse fato pode ser um indício de contaminação química. Porém, até o momento não existem estudos conclusivos que indiquem claramente uma relação entre o CCD e os defensivos.

77. Defensivos agrícolas matam abelhas?

De maneira geral, os defensivos agrícolas são produtos elaborados para a eliminação de pragas ou infestações que podem ser causadas por insetos. Ocorre que existem normas e protocolos de aplicação que reduzem significativamente os riscos para as abelhas. Infelizmente, a imperícia ou a negligência acabam causando acidentes que poderiam ser evitados.
Vale destacar também a necessidade de comunicação entre os agricultores e apicultores para que ninguém se surpreenda com aplicações indevidas ou realizadas fora de época.

78. Há CCD no Brasil?

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuário e Abastecimento (Mapa), não há nenhuma evidência científica de que o fenômeno aconteça no país.
A análise de alguns casos que tiveram suspeita de CCD indica que houve acidentes causados por imperícia e negligência no manejo das abelhas e na aplicação de defensivos agrícolas.
Vale destacar que o CCD tem afetado populações de abelhas Apis europeias e, no Brasil, a raça mais comum é a africanizada, que se desenvolveu a partir dos cruzamentos de europeias e africanas. Esse poli-híbrido apresenta uma resistência maior.
No Brasil também não existe uma prática tão desenvolvida de abelhas criadas prioritariamente para a polinização, o que resulta em constantes e longos deslocamentos, que são citados como um dos possíveis fatores de estresse que podem contribuir para a ocorrência de CCD.

79. Como posso ajudar a conservar as abelhas?

Você pode cultivar plantas com flores em vasos ou canteiros. Priorize as espécies locais que já estão adaptadas e dão menos trabalho para sua conservação. Como as abelhas nativas possuem muitas diferenças morfológicas, procure cultivar diversas espécies de flores para poder atrair a maior diversidade de abelhas. Evite usar defensivos agrícolas em seu jardim, pois a maioria dos produtos não são seletivos e podem matar insetos ou outros bichos benéficos para o jardim. Caso seja necessário, priorize sprays a base de água, verificando a toxicidade para abelhas, além de seguir corretamente as instruções de uso.

80. É muito complicado manter uma colônia de abelhas sem ferrão em casa?

Não, basta conhecer os cuidados básicos que podem ser encontrados na internet, como neste manual (http://www.ispn.org.br/arquivos/mel008_31.pdf) preparado por Jerônimo Villas-Bôas. Como as abelhas não têm ferrão funcional, elas são dóceis e não criarão problemas com vizinhos ou outros animais domésticos.