Pesquisadores levam inovação, dados de produtividade e alerta sobre mudanças climáticas para a Apimondia 2025

Pesquisadores do Comitê Científico da A.B.E.L.H.A. participam da 49a. edição da Apimondia na Dinamarca / Crédito: Breno Freitas

Os cientistas Breno Freitas, Cristiano Menezes e Decio Gazzoni apresentarão resultados de estudos no maior congresso mundial sobre apicultura

Três pesquisadores que integram o Comitê Científico da A.B.E.L.H.A participarão do maior evento global de apicultura e meliponicultura, entre os dias 23 e 27 de setembro. Na bagagem, levam resultados de estudos realizados em diversas regiões do país, compartilhando com o mundo dados sobre o aumento da produtividade da soja a partir da polinização, o impacto do aumento das temperaturas sobre o forrageamento e a tecnologia brasileira para monitorar ocorrências e causas de mortalidade de abelhas. Eles compõem a delegação brasileira, formada por produtores, empresários e cientistas que irão participar da 49a edição da Apimondia, em Copenhague, na Dinamarca.

O congresso é palco estratégico para debates científicos, cooperação internacional, inovação e fortalecimento da sustentabilidade em torno das abelhas e da produção apícola. “Ao reunir pesquisadores, técnicos, produtores e agentes reguladores de diversos países, permite o acesso a novas pesquisas, melhores práticas de manejo, inovações em controle sanitário, qualidade de mel e polinização. Essa troca direta de conhecimento é fundamental para que o Brasil possa se posicionar com padrões elevados de qualidade e sustentabilidade”, avalia o líder executivo da A.B.E.L.H.A., Rogério Avellar.

Conheça os estudos e pesquisadores que participarão da Apimondia 2025

Este ano, a Associação será representada pelo engenheiro agrônomo, doutor em Abelhas e Polinização e professor da Universidade Federal do Ceará, Breno Freitas; pelo biólogo, doutor em Entomologia e pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Cristiano Menezes, e pelo engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e pesquisador da Embrapa Soja, Décio Gazzoni.

Eles estarão em painéis – entre pôsteres e comunicações orais – no evento para falar sobre suas pesquisas no Brasil.

O impacto das mudanças climáticas sobre as abelhas Mamangavas na polinização do maracujá

O estudo “Climate change may disrupt crop pollination in the Neotropics:
rising temperatures lead carpenter bees to avoid pollinating passion fruit flowers” (Mudanças climáticas podem prejudicar polinização das culturas nos Neotrópicos:
aumento das temperaturas leva abelhas Mamangavas a evitar a polinização das flores do maracujá), foi conduzido por Breno Freitas no município de Maranguape, no Ceará, e verificou que as abelhas mamangavas evitaram forragear flores de duas espécies de maracujá, por causa da elevação da temperatura ambiente e do aumento da temperatura corporal ao longo do dia, alterações provocadas pelas mudanças climáticas.

“Forrageando cada vez menos à medida que a temperatura aumenta, elas terão menos acesso a alimentos, produzirão menos crias e, ao longo do tempo, suas populações podem se tornar menores e menores, até não ser mais possível sobreviver naquele local”, alerta Freitas. O Brasil é o maior produtor de maracujá do mundo, com destaque para o estado do Ceará.

Interação entre soja e abelhas: ganhos de produtividade

A interação das abelhas com outra cultura, a da soja, foi o tema da pesquisa de Decio Gazzoni. Por meio do estudo “Harmonious Integration of Bees and Soybean Cultivation” (Integração harmoniosa entre abelhas e cultivo de soja), o pesquisador demonstra que a coexistência harmoniosa entre abelhas africanizadas e lavouras de soja proporciona melhores resultados para as duas atividades.

A produção de mel nas propriedades estudadas – no Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul – passou de uma média de 19 a 20 kg/colmeia ao ano para 50 kg/colmeia apenas durante o período de floração da leguminosa. Já a produtividade da soja teve um incremento de 10 a 15%. “O grande desafio é a estrita observância das boas práticas por ambos os atores. Quando são observadas, todos ganham, o agricultor, o apicultor, a sociedade e o meio ambiente”, afirma Gazzoni.

Inovação e tecnologia para monitorar ocorrências com abelhas

A tecnologia brasileira também estará presente no evento, por meio de inovações como o app AgroTag, criado pelo Observatório de Abelhas do Brasil/Embrapa. Trata-se de um sistema de informação para o registro sistemático de ocorrências, identificação de possíveis causas de mortes de abelhas e consolidação desses dados em uma plataforma oficial nacional. Por meio de tablets ou celulares, os incidentes são identificados, fotografados e georreferenciados diretamente no campo, com transparência e acessibilidade.

“Com as informações do app, será possível saber onde, quando e o por quê dessas mortalidades, funcionando como um termômetro de sustentabilidade da agricultura a partir de um excelente bioindicador ambiental, que são as abelhas”, explica o pesquisador Cristiano Menezes, autor do estudo “Bee Observatory: Hive Monitoring as an Indicator of the Sustainability of Brazilian Agriculture” (Observatório de Abelhas: Monitoramento de Colmeias como Indicador da Sustentabilidade da Agricultura Brasileira).

WhatsApp Image 2025 09 23 at 15.52.48 1Abertura da Apimondia 2025 / Crédito: Breno Freitas

Investimento em ciência

Para o líder executivo da A.B.E.L.H.A., Rogério Avellar, a participação no congresso é estratégica. “É investimento em conhecimento, posicionamento, melhoria de padrões, credibilidade e sustentabilidade. A ida de três dos nossos conselheiros reforça nosso compromisso com a ciência, com a preservação da biodiversidade e a promoção da convivência harmônica entre as abelhas e outros polinizadores com a agricultura”, destaca.

Em 2025, com o lema “Unity and knowledge sharing” (União e partilha de conhecimento), a Apimondia ressalta o objetivo de promover o intercâmbio global de informações e práticas da apicultura e meliponicultura. A feira é uma vitrine para expandir a atuação no mercado internacional e acontece a cada dois anos em diferentes países, promovendo a troca de conhecimento e incentivando boas práticas para o desenvolvimento do setor. A última edição, em 2023, ocorreu no Chile (confira a galeria de fotos). Este ano, a edição dinamarquesa vai apresentar as mais recentes tecnologias e produtos, além de reforçar a importância das abelhas para a biodiversidade e a economia, com visitas técnicas e seminários.