Publicação desenvolvida em parceria com a FAO e com apoio técnico da Embrapa Amazônia Oriental reúne conteúdos do curso voltado a mulheres agricultoras e está disponível no site da A.B.E.L.H.A. Crédito: Ana Laura Lima/Embrapa
Biologia das abelhas sem ferrão, principais ameaças aos polinizadores, cuidados de manejo, alimentação complementar, coleta e processamento de mel: esses são alguns dos temas abordados no manual de Meliponicultura para Mulheres, iniciativa promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em parceria com a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.) e apoio técnico da Embrapa, disponível para download.
A publicação é destinada a mulheres agricultoras, agentes de extensão rural, educadores e formuladores de políticas públicas. O conteúdo foi desenvolvido a partir do curso realizado em fevereiro para agricultoras assentadas na região das comunidades de Alto Corací e Vila Formosa, no município de Paragominas, no Pará.

“O curso foi emocionante. Fazer parte de um processo de transformação de uma comunidade de mulheres quilombolas foi maravilhoso”, relembra a Dra. Márcia Maués, bióloga e pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental.
Mudança de paradigma
A capacitação proporcionou o benefício da polinização para os cultivos comunitários e uma geração de renda extra, com a extração de mel. “Conseguimos despertar um interesse e quebrar um paradigma. Na primeira avaliação do curso, 90% delas disseram que tinham medo, pavor, de abelhas. No fim do curso, todas se declaram apaixonadas pelas abelhas”, afirma Maués.
O estado do Pará abriga cerca de 50% da biodiversidade de abelhas nativas, sem ferrão, brasileiras: das 240 espécies de abelhas sociais do Brasil, 220 estão na Amazônia, sendo 120 no Pará. Elas são responsáveis pela polinização de diversas culturas agrícolas na região, como o açaí e o maracujá, além de contribuírem com a conservação da biodiversidade e a manutenção da floresta em pé.
Próximos passos

O conhecimento sobre as abelhas sem ferrão levou a dimensão da importância social, econômica e ecológica dos polinizadores. Ao exercer a atividade, as mulheres também se tornaram agentes de conservação da biodiversidade em seus territórios. “Mostramos a importância das abelhas para a meliponicultura e para a polinização agrícola e elas passaram a se envolver emocionalmente com as abelhas e o trabalho tem crescido até hoje, afirma a Dra. Márcia Maués.
Ela conta que a receptividade sobre o tema foi tanta que as agricultoras já conseguiram multiplicar as colônias de abelhas nativas e estão interessadas em ter novas oportunidades. “Nossa vontade é fazer um curso avançado no município. Demos um curso básico sobre criação de abelhas e a resposta foi a melhor possível. Conseguimos uma transformação, contribuindo com a melhoria da qualidade de vida dessas mulheres, de forma que elas se sintam capazes de realizar essa atividade”, relata a pesquisadora.

Fontes consultadas:
Embrapa Notícias. Agricultoras de Paragominas (PA) aprendem a manejar abelhas sem ferrão. Acesso em 11 de dezembro de 2025. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/98121579/agricultoras-de-paragominas-pa-aprendem-a-manejar-abelhas-sem-ferrao
___________. Novo manual sobre a criação de abelhas sem ferrão é voltado para mulheres do campo. Acesso em 11 de dezembro de 2025. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/100817517/novo-manual-sobre-a-criacao-de-abelhas-sem-ferrao-e-voltado-para-mulheres-do-campo
FAO. Curso de meliponicultura para mulheres. Acesso em 11 de dezembro de 2025. Disponível em: https://openknowledge.fao.org/items/a6094d5a-102e-45e1-bbfa-069bfe5ae877





