Inovação e tecnologia brasileira monitoram colmeias para identificar causas de mortandades de abelhas

app AgroTag

O aplicativo AgroTag- Abelhas, desenvolvido pelo Observatório de Abelhas, foi apresentado na 49ª edição da Apimondia, na Dinamarca, e tem a finalidade de apoiar os agentes de Defesa Agropecuária no registro de ocorrências e identificação der possíveis causas de mortes de abelhas

A mortalidade de abelhas é uma preocupação global, pois ameaça a biodiversidade, a segurança alimentar e a oferta de serviços ecossistêmicos, como a polinização, fundamental para diversas culturas agrícolas, incluindo maracujá, melão e melancia. Para monitorar as ocorrências de casos de mortalidade, o Observatório de Abelhas do Brasil — uma iniciativa conjunta da Embrapa Meio Ambiente e do Ministério da Agricultura e Pecuária — desenvolveu o módulo Abelhas no aplicativo AgroTag. O sistema permite o registro sistemático de ocorrências, a identificação de possíveis causas de mortes de abelhas e a consolidação desses dados em uma plataforma oficial nacional.

O estudo “Bee Observatory: Hive Monitoring as an Indicator of the Sustainability of Brazilian Agriculture (Observatório de Abelhas: Monitoramento de Colmeias como Indicador da Sustentabilidade da Agricultura Brasileira”), foi apresentado pelo Doutor Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, coordenador geral do Observatório de Abelhas do Brasil e membro do Comitê Científico da A.B.E.L.H.A., na 49º edição da Apimondia, o maior congresso global sobre apicultura, na Dinamarca.

Indicador de sustentabilidade

A plataforma funciona como um banco de dados nacional para mapear e analisar as causas da mortalidade, como eventos climáticos extremos, intoxicações por agrotóxicos e manejo incorreto. Ao monitorar as causas da mortandade, o sistema também funciona como “um termômetro de sustentabilidade da agricultura a partir de um excelente bioindicador ambiental, que são as abelhas”, afirma Menezes. E complementa: “Dessa forma, contribuirá para melhorar a agricultura onde os casos estiverem mais frequentes, com diretrizes objetivas e eficazes baseadas nas informações geradas. Ao mesmo tempo, permite valorizar as regiões que praticam agricultura sustentável, com baixas incidências de mortalidade.”

A sistematização dos relatórios e a análise regional e temporal das ocorrências permitem uma interpretação técnica e científica dos fatores causais, fornecendo aos agentes públicos e outros setores da sociedade informações consolidadas para implementar medidas eficazes de redução das perdas de polinizadores. Esta plataforma de dados nacional sobre mortalidades de abelhas que tem como pilar o Sistema AgroTag Abelhas, com o aplicativo para uso em campo e uma interface WebGIS que permite análises espaciais, geração de mapas, gráficos e relatórios, além da integração com bases territoriais (uso do solo, CAR e MapBiomas).

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Entrada de um ninho de abelhas jataís; Foto: Cristiano Menezes/Arquivo A.B.E.L.H.A.

Inovação e tecnologia na apicultura

O app é uma ferramenta projetada para uso exclusivo dos fiscais do Órgão Estadual de Sanidade Agropecuária (OESAs), vinculado à Secretaria de Agricultura de cada estado, que que é responsável pela fiscalização, defesa e sanidade do setor agropecuário. Disponível no sistema Android o app, instalado em tablet ou celular, facilita o monitoramento de ocorrências diretamente no campo com o registro de dados e fotos e georreferenciados. Em áreas sem acesso à internet, os dados são armazenados no dispositivo e transmitidos para o banco de dados assim que a conexão é restabelecida.

O AgroTag foi criado em 2017 e entrou em funcionamento imediato. O app possui vários módulos para diferentes finalidades. O AgrotTag para uso específico com abelhas foi criado e iniciou seu funcionamento em 2023. Por meio dessa ferramenta, foi possível monitorar as perdas de colmeias nas chuvas intensas e enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Mais de 21 mil colmeias foram perdidas em 89 municípios gaúchos, o que impactou profundamente a produção apícola e outros setores.

O pesquisador explica ainda que o aplicativo é uma ferramenta que garante a rastreabilidade e segurança das informações sobre as ocorrências, pois exige que o fiscal de um OESA vá a campo para registrar os dados com georreferenciamento. “O app é para uso exclusivo do sistema oficial da Defesa Agropecuária. O diferencial do Observatório é justamente contar com um sistema oficial de coleta de dados que lhe confere confiabilidade das informações”, ressalta.

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A bióloga Betina Blochtein, coordenadora executiva do Observatório de Abelhas do Brasil. Crédito: Arquivo pessoal

A bióloga Betina Blochtein, coordenadora executiva do Observatório de Abelhas do Brasil, destaca a necessidade de os criadores de abelhas cadastrarem  seus os apiários e meliponários junto à Inspetoria de Defesa Agropecuária (IDA) do município correspondente. “Com isso, a atividade ganha o reconhecimento da sua relevância econômica, social e ambiental. Em caso de mortandade de abelhas, a IDA deve ser aciona para que o serviço oficial realize a visita ao local afetado, documente a situação e colete amostras de abelhas, explica”. Após as análises laboratoriais – realizadas sem custo para o produtor –  os laudos são compartilhados com os responsáveis pelas abelhas. 

O Observatório de Abelhas do Brasil, vinculado à Embrapa Meio Ambiente e ao Ministério da Agricultura, atua em colaboração com órgãos públicos e privados, agências de defesa e a  Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.). O Observatório tem como objetivo apoiar ações a fim de reduzir a mortandade de abelhas no país. a fim de desenvolver políticas públicas e medidas de mitigação para proteger os polinizadores e fortalecer a apicultura.  

Em 2025, a A.B.E.L.H.A. está sendo representada por três pesquisadores que integram o Comitê Científico da Associação na 49a Apimondia, o maior evento global de apicultura e meliponicultura, entre os dias 23 e 27 de setembro. São eles: o engenheiro agrônomo, doutor em Abelhas e Polinização e professor da Universidade Federal do Ceará, Breno Freitas; o biólogo, doutor em Entomologia e pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Cristiano Menezes, e o engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e pesquisador da Embrapa Soja, Décio Gazzoni. Com o lema “Unity and knowledge sharing” (União e partilha de conhecimento), a Apimondia ressalta o objetivo de promover o intercâmbio global de informações e práticas da apicultura e meliponicultura.  

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O pesquisador Cristiano Menezes, coordenador geral do Observatório de Abelhas do Brasil e membro do Comitê Científico da A.B.E.L.H.A. durante a 49ª edição da Apimondia. Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal

Fontes consultadas

Observatório de Abelhas do Brasil. Site. Acesso em 01 de outubro de 2025. Disponível em: https://www.agrotag.cnpma.embrapa.br/abelhas/#!/ 

ONU. ONU destaca papel das abelhas na segurança alimentar e na saúde de ecossistemas BR. Site ONU News, 6 de setembro de 2025. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2025/05/1848611#:~:text=Um%20mundo%20sem%20polinizadores%20n%C3%A3o,a%20sa%C3%BAde%20dos%20ecossistemas%20locais

SPINELLI-ARAUJO, Luciana  et al. Mitigação de mortandades de abelhas no Brasil – o papel da rastreabilidade geoespacial. In: ANAIS DO XXI SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, 2025, Salvador. Anais eletrônicos…, Galoá, 2025. Acesso em o1 de outubro de 2025. Disponível em: https://proceedings.science/sbsr-2025/trabalhos/mitigacao-de-mortandades-de-abelhas-no-brasil-o-papel-da-rastreabilidade-geoespa?lang=pt-br 

 

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