Entrega de colmeias no RS busca recompor apiários perdidos em desastre climático

distribuição de colmeias

A mobilização é resultado de uma ação conjunta do Projeto Observatório de Abelhas do Brasil com foco no Rio Grande do Sul, em parceria com o Ministério Público do RS, a Embrapa, a A.B.E.L.H.A. e mais 14 empresas do setor de insumos agrícolas. Mais de 20 mil colmeias foram pedidas nas enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024.

“Não deu tempo de remover as colmeias. Quando a gente viu, a água subiu demais e levou tudo”, lembra o apicultor Giovani Rodrigues, do município de Charqueadas, no Rio Grande do Sul. “Agora essas colmeias vão ajudar muita gente, muitas famílias que vivem da apicultura. Vai ajudar no repovoamento da região”, celebra.

No dia 24 de outubro de 2025 foi realizada a entrega de 59 das 100 colmeias povoadas destinadas a apicultores atingidos pelas perdas ocasionadas pelo desastre climático no Rio Grande do Sul. A ação ocorreu na Estação Experimental Agronômica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), localizada no município de Eldorado do Sul e teve o acompanhamento técnico do Prof. Aroni Sattler (FARGS/UFRGS).

Apicultores dos municípios de Eldorado do Sul, Guaíba, Arroio dos Ratos, Charqueadas e Barão do Triunfo receberam colmeias destinadas a seus apiários e, em alguns casos, também levaram unidades para repasse a colegas previamente cadastrados e habilitados no processo, o que otimizou a logística de distribuição e ampliou a cobertura geográfica da ação. Cada colmeia tinha 3 favos povoados (cria aberta, cria fechada, abelhas aderentes e mel) e duas lâminas de cera alveolada.

Ação Integrada

Entrega de colmeias
As colmeias foram distribuídas para os municípios de Eldorado do Sul, Guaíba, Arroio dos Ratos, Charqueadas e Barão do Triunfo. Crédito: Jenifer Ramos

Os exames foram fornecidos por apicultores que não foram afetados e multiplicados na Estação Experimental. “Isso ajudou tanto os apicultores afetados pelas enchentes quanto nós que não fomos afetados. Agora as abelhinhas seguem para um novo povoamento”, relata Eronilce dos Santos uma das apicultoras responsáveis pelo fornecimento. Ela também atuou em parceria com o técnico José Adair Rocha de Sousa, da UFRGS, responsável por produzir e manejar os núcleos, até a entrega aos apicultores.

Como contrapartida, os apicultores devem regularizar os apiários junto ao Departamento de Defesa Animal (DPA/SEAPI/RS) e participar de um curso de formação em apicultura oferecido pela EMATER/RS, visando profissionalização e adoção de boas práticas.

“Nosso curso aborda desde anatomia da abelha até a legalização do produto. Claro que os apicultores já têm um conhecimento teórico, mas promovemos trocas de experiências e informações que podem ajudá-los a chegar no ideal de produção e faturamento com uma atividade que é tão importante para a humanidade que é a apicultura”, explica Flávio Souza, Extensionista Rural da EMATER/RS e Instrutor do Curso.

Recomeço

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Os apicultores também participaram de um curso de formação da EMATER/RS, visando profissionalização e adoção de boas práticas. Crédito: Jenifer Ramos

A ação impulsiona a recomposição efetiva de colmeias nas áreas impactadas, promovendo a recuperação econômica e ambiental da apicultura e fortalecendo a retomada do setor após o evento climático extremo. De acordo com o relatório “Mapeamento das Perdas de Colmeias no Desastre Climático de maio e junho/2024 no Rio Grande do Sul e indicações para a Recuperação do Setor”, elaborado no âmbito do Programa Observatório de Abelhas do Brasil, coordenado pela Embrapa Meio Ambiente, em parceria com a Associação Brasileira de Estudo das Abelhas e a Federação Apícola e de Meliponicultura do Rio Grande do Sul, cerca de 21 mil colmeias foram perdidas no desastre, causando prejuízo para a produção apícola e outros setores.

O evento climático extremo comprometeu tanto a renda dos produtores envolvidos, quanto a produção de mel e o serviço de polinização de várias culturas agrícolas. A recomposição dos apiários é uma das recomendações do relatório, que inclui ainda a procura por áreas mais elevadas para a instalação de colmeias como uma medida de adaptação para lidar com os impactos das mudanças climáticas.

“Esse é um momento muito especial para o estado. O desastre climático gerou uma onda de solidariedade e agora estamos aproveitando as lições aprendidas para recuperar a apicultura gaúcha de uma forma mais interessante e sustentável para todos”, ressalta a Coordenadora Executiva do Observatório de Abelhas do Brasil, Dra. Betina Blochtein.

A mobilização é resultado de uma ação conjunta do Projeto Observatório de Abelhas do Brasil, com foco no Rio Grande do Sul, em parceria com o Ministério Público do RS, a Embrapa, a A.B.E.L.H.A. e mais 14 empresas do setor de insumos agrícolas. A compra e distribuição das colmeias foi financiada pela Syngenta. Entre os parceiros da iniciativa estão a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do RS, a EMATER/RS e a Federação de Apicultores e Meliponicultores do RS – FARGS.

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A recomposição dos apiários gaúchos é uma ação conjunta do Observatório de Abelhas do Brasil, em parceria com o Ministério Público do RS, Embrapa, A.B.E.L.H.A. e mais 14 empresas de insumos agrícolas. Crédito: Observatório de Abelhas do Brasil.