Rogerio Avellar

Rogério Avellar é carioca, pai de dois filhos e mora em Brasília. Na juventude, se apaixonou pela agricultura e as atividades do campo, tomando consciência sobre a importância da produção agrícola e da pecuária, sobre o quanto produzir alimento em quantidade – e qualidade – é estratégico para um país. A partir daí, foi um caminho natural até a formatura em Engenharia Agronômica, em 1986, na Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL), em Minas Gerais. Depois, veio o MBA em Gestão Empresarial pela FGV.

O setor agropecuário proporcionou uma diversidade de experiências ao engenheiro agrônomo, o que lhe permitiu desenvolver uma visão ampla e integrada. São mais de 35 anos de dedicação, tendo atuado também como produtor rural. Rogério vem atuando em consultoria técnica e de gestão, articulação institucional, liderança de projetos de inovação e reestruturação de associações do setor, além de ter estado à frente de programas de cooperação e relacionamento com o setor público e privado.
Paralelamente à atuação profissional, Rogério manteve também uma outra paixão: a prática do hipismo. Mais especificamente, prova equestre na modalidade Rédeas – uma prova de origem norte-americana, Western, que é praticada no mundo inteiro. Diferente da equitação, mais focada em saltos, a modalidade testa a harmonia, o controle e a agilidade do cavalo e do cavaleiro.

E ele tem agora, diante de si, um novo desafio: consolidar o debate sobre conservação de polinizadores e a agricultura. Ao assumir a liderança executiva da A.B.E.L.H.A., em julho de 2025, afirmou que “não é mais possível dissociar a atividade agrícola da convivência harmônica com as abelhas”. É com esse pensamento que Rogério Avellar se apresenta para a condução dos novos rumos da Associação. Confira a seguir a entrevista na íntegra:

1) Pode nos contar um pouco sobre a sua trajetória profissional? Além de agrônomo, você também foi produtor rural, não é?

Sim. Sou engenheiro agrônomo pela ESAL de Lavras/MG e tenho MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Tive a oportunidade de atuar em organismos internacionais, como a ONU/OIT, órgãos públicos, como a Secretaria de Agricultura de Goiás, além de entidades representativas como a CNA, CropLife Brasil e a FEPLANA.

Como produtor rural, uma experiência que me deixa orgulhoso, e que normalmente não colocava no meu currículo, foi o trabalho com a pecuária de corte, na qual me dediquei às fases de recria e engorda de bovinos.

campo agricola2) Hoje, trabalhando pro agronegócio, para associações do setor, como você vê o que tem sido feito pela sustentabilidade no setor?

Para responder essa pergunta precisamos lembrar que a evolução da agropecuária brasileira, muitas vezes, se deu através de mudança de paradigmas.

Em poucas décadas, saímos de um país que era importador de alimentos, para nos tornarmos um dos maiores produtores e exportadores de alimentos no mundo. E isso ocorreu a partir de uma mudança de paradigma, que foi o investimento na geração de conhecimento produzido no Brasil, adaptado à nossa realidade edafoclimática. O maior exemplo foi a criação da Embrapa.

Acredito que hoje estamos passando por uma nova mudança de paradigma, que é a priorização da produção sustentável e da conservação da biodiversidade. Existem diversas iniciativas nesse sentido, entidades e empresas, públicas e privadas, que desenvolvem tecnologias, processos e boas práticas agrícolas visando a produção sustentável. Esse conhecimento é levado até os produtores rurais para ser utilizado em suas lavouras e criações. Portanto, vejo que estamos em um momento positivo em relação ao tema sustentabilidade no setor agropecuário.

Abelha DecioGazzoni 4 flor soja3) O que podemos esperar da sua contribuição para a A.B.E.L.H.A.?

Primeiramente, gostaria de lembrar que tenho plena consciência do papel estratégico da associação, do seu legado construído ao longo de mais de uma década. A A.B.E.L.H.A.é referência na promoção de conhecimento qualificado sobre conservação da biodiversidade brasileira e à convivência harmônica e sustentável da agricultura com as abelhas e outros polinizadores.

Minha contribuição será colocar toda minha experiência e energia a serviço do fortalecimento institucional da associação, ampliando a relevância de suas ações e consolidando-a, ainda mais, no contexto agrícola. Além disso, pretendemos ampliar o diálogo com os apicultores e meliponicultores. É fundamental atuar divulgando informação, apoiando a produção de conhecimento e o desenvolvimento sustentável.

4) Qual será o seu papel na A.B.E.L.H.A.?

Meu papel, como líder executivo, será fortalecer sinergias, promover convergências e ampliar o diálogo com os diversos atores e parceiros estratégicos que integram o ecossistema no qual a A.B.E.L.H.A. está inserida. A nossa atuação será focada no desenvolvimento de ações que aproximem o produtor rural, oferecendo informação qualificada e orientações sobre práticas que permitam a conservação das abelhas em paralelo à produção agrícola, sempre embasado na pesquisa científica e em diálogo com apicultores e meliponicultores.

apicultor5) Como avalia o trabalho que a A.B.E.L.HA. tem desenvolvido até aqui? A associação vai mudar? O que acontecerá a partir de agora com a nova liderança?

Reforço e destaco que a ABELHA tem um legado construído ao longo de mais de uma década e que precisa ser reconhecido e valorizado pela sua relevância e qualidade. A associação passa por transformações que fazem parte da evolução de uma entidade, são novas demandas, novos cenários, novas expectativas, que precisam ser atendidas.

Com a nova liderança, prosseguiremos com importantes ações que já estavam em andamento, desenvolveremos novas ações, ampliando nossa rede de apoio e colaboração, e reafirmamos o compromisso de consolidar cada vez mais a presença da entidade no contexto agrícola brasileiro.

6) O que, em sua opinião, precisa ser feito para conscientizar campo e sociedade sobre a necessidade de conservação das abelhas e polinizadores?

A conscientização sobre a importância das abelhas e dos polinizadores deve ser tratada como uma pauta estratégica, que une sustentabilidade, produtividade e responsabilidade socioambiental. Para que campo e sociedade avancem juntos nesse tema, algumas ações são fundamentais.

Entre elas, destaco a educação e capacitação no campo, campanhas de comunicação à sociedade, integração entre ciência e prática, articulação institucional e política pública e, ainda, o engajamento comunitário.

É preciso trabalhar em duas frentes: sensibilizar o produtor com base em resultados práticos para sua atividade e sensibilizar a sociedade com base em sua segurança alimentar e ambiental. Só assim criaremos uma cultura duradoura de valorização das abelhas e dos polinizadores.

rogerio avellar entrevista 27) Quais são as suas expectativas como líder da associação?

Minhas expectativas são bastante claras: quero fortalecer a representatividade da associação, ampliar o diálogo com nossos associados, parceiros estratégicos, academia, governo, produtores rurais, apicultores e meliponicultores e garantir uma gestão eficiente e transparente.

Também espero consolidar a entidade como referência técnica e institucional. Em resumo, minha meta é uma A.B.E.L.H.A. ainda mais forte e preparada para os desafios que vêm pela frente.