Cidades são chave para conservação de polinizadores

Cidades são chave para conservação de polinizadores

28 de janeiro de 2019

Dadas as pressões que os polinizadores enfrentam em áreas agrícolas, as cidades poderiam desempenhar um papel importante na conservação dos polinizadores.

A conclusão é parte de um estudo em larga escala, publicado no início do ano na revista Nature Ecology and Evolution, que avaliou os principais usos da terra urbana para os polinizadores em 360 localidades, em quatro cidades britânicas.

A equipe de pesquisadores avaliou que jardins domésticos britânicos, assim como em loteamentos residenciais, são particularmente bons para os polinizadores, e identificou algumas espécies de plantas importantes como fonte de alimento, a exemplo de lavanda e dente-de-leão.

As principais recomendações do estudo são:

Os espaços verdes públicos devem ser manejados para que beneficiem os polinizadores.

Parques, bordas de estradas e outros espaços verdes públicos compõem cerca de um terço das cidades, mas têm menos visitas e recursos para os polinizadores que outras localidades. A pesquisa mostra que aumentar o número de flores plantadas e diminuir a frequência da poda, por exemplo, são medidas que podem ajudar os polinizadores urbanos.

Os jardins representam de um quarto a um terço da área das cidades no Reino Unido, e um melhor manejo dos jardins já existentes e de jardins incorporados em novos empreendimentos deve contribuir para a conservação dos polinizadores.

A pesquisa foi realizada por cientistas das Universidades de Bristol, Edimburgo, Leeds e Reading (no Reino Unido), em colaboração com a Universidade de Cardiff e o Centro Norte-Americano de Síntese Socioambiental (SESYNC), ligado à Universidade de Maryland. Eles trabalharam em colaboração com conselhos locais e fundos de conservação de vida selvagem, incluindo: Bristol City Council; Câmara Municipal de Edimburgo; Câmara Municipal de Leeds; Reading Borough Council; Avon Wildlife Trust; Yorkshire Wildlife Trust; Berks, Bucks e Oxon Wildlife Trust e o Museu Nacional de Gales.

De acordo com Katherine Baldock, pesquisadora que integrou a equipe, a troca de conhecimentos foi fundamental para chegar ao resultado. “Ao entender o impacto do uso de cada tipo de solo urbano sobre os polinizadores, sejam jardins, loteamentos, bordas de estradas ou parques, podemos tornar as cidades melhores para os polinizadores”, comenta.

Simon Potts, Diretor do Centro de Pesquisa Agroambiental da Universidade de Reading, afirmou que, ao avaliar todos os principais usos da terra urbana pela primeira vez, os pesquisadores descobriram que não apenas está subestimada a importância dos jardins e loteamentos como também estão sendo perdidas oportunidades de aproveitar espaços menos óbvios, que são abundantes nas cidades, para torná-los espaços verdes. “Fazer mudanças simples na forma como esses espaços são manejados poderia revelar o potencial das cidades para serem lugares importantes para a conservação dos polinizadores ”.

O estudo “A systems approach reveals urban pollinator hotspots and conservation opportunities” está publicado em https://www.nature.com/articles/s41559-018-0769-y.

Fontes: Universidade de Reading, Universidade de Leeds, Nature Ecology and Evolution.

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