A adoção de Boas Práticas Agrícolas resulta em maior produtividade, conservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos
Produzir mais com menos. Esse é o grande desafio que têm se apresentado aos sistemas produtivos do planeta, em resposta aos impactos das mudanças climáticas, à necessidade de garantir segurança alimentar para uma população mundial crescente e manutenção da biodiversidade. E um dos primeiros sinais sobre a saúde dos ecossistemas é a presença de abelhas no meio ambiente, o que pode ser medido como resultado de ações como a adoção de Boas Práticas Agrícolas (BPAs).
As abelhas são responsáveis pela polinização de cerca de 75% das culturas agrícolas de todo o mundo, com maior ou menor grau de dependência. Essa interação entre plantas e abelhas traz benefício para todos, mas também pode representar um risco para os polinizadores, caso as boas práticas não sejam observadas.
BPAs: uma estratégia inteligente
Quando a agricultura adota BPAs, incluindo o manejo responsável de defensivos, cria condições favoráveis para que os polinizadores encontrem alimento (néctar e pólen) e abrigo, fortalecendo essa relação de cooperação. Cuidados como evitar o uso de inseticidas no período de floração, seguir rigorosamente as orientações da bula de defensivos e evitar a aplicação nas bordas da lavoura, próximo a matas nativas ou áreas onde existam apiários ou meliponários, são práticas importantes à conservação das abelhas.
“Para os agricultores, adotar Boas Práticas Agrícolas com foco na proteção dos agentes polinizadores não é apenas uma questão ética ou ambiental: trata-se de uma estratégia inteligente de produção”, ressalta Rogério Avellar, líder executivo da A.B.E.L.H.A.
Como beneficiários diretos dos serviços ecossistêmicos, agricultores podem e devem ser os maiores aliados na conservação das abelhas. Além dos cuidados com o uso de inseticidas, as BPAs podem ir além e contemplar, por exemplo, o reflorestamento de áreas antropizadas, ou a adoção de sistemas integrados como a Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), o que contribui para o restabelecimento dos habitats naturais das abelhas.
E como recompensa, as abelhas retribuem com visitas às flores, polinizando culturas e proporcionando ganhos de produtividade, tanto na quantidade quanto na qualidade de frutos e sementes.
Conheça e adote as 9 BPAs que elevam produtividade e protegem as abelhas

Mais produtividade e biodiversidade
Segundo o Relatório temático sobre polinização, polinizadores e produção de alimentos no Brasil, o valor do serviço ecossistêmico de polinização para a produção de alimentos no Brasil foi estimado em R$ 43 bilhões em 2018. Cerca de 80% desse valor está associado a quatro cultivos de grande importância comercial: soja, café, laranja e maçã.
Dados mais recentes, em estudo de 2024, relativos ao estado de São Paulo, indicam que o valor estimado da polinização na agricultura paulista foi de R$ 5 bilhões anuais. Os valores se referem ao incremento de produtividade e de qualidade dos frutos (que resulta em maior valor agregado na comercialização do produto) associado ao serviço ecossistêmico, realizado gratuitamente, pelos polinizadores.
Para o líder executivo da A.B.EL.H.A., Rogério Avellar, as BPA surgem como um caminho para equilibrar a produção agrícola com a conservação da biodiversidade, fortalecendo tanto o ecossistema como o próprio negócio agrícola. “Adotar BPA voltadas à conservação de abelhas e outros polinizadores é, para o agricultor, uma decisão estratégica que une sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica. Não se trata apenas de ‘fazer o certo’, mas de colher resultados concretos: mais produtividade, melhor qualidade, menores custos, menor risco e maior resiliência, acesso a novos mercados — e uma atividade preparada para o futuro”.
Fontes consultadas:
A.B.E.L.H.A. Boas Práticas – agricultura. Site. Acesso em 21 de outubro de 2025. Disponível em: https://abelha.org.br/boas-praticas-agricultura/
Klein AM et al. (2020) A Polinização Agrícola por Insetos no Brasil. Um Guia para Fazendeiros, Agricultores, Extensionistas, Políticos e Conservacionistas. Albert-Ludwigs University Freiburg, Nature Conservation and Landscape Ecology. Acesso em 6 de setembro de 2025. Disponível em: https://www.nature.uni-freiburg.de/ressourcen/publikationen-pdfs/cpb-book-brazil-160-ebook-sklein.pdf
Moreira, E. et al. (2024) Potencial do serviço ecossistêmico de polinização no estado de São Paulo [livro eletrônico]. Série Biota Síntese. Nota Técnico-Científica. Acesso em 6 de setembro de 2025. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/1490
Senar. Boas práticas para integração entre apicultura e sojicultura. Cartilha. Acesso em 30 de setembro de 2025. Disponível em: https://ead.senar.org.br/senar-play/cartilhas/boas-praticas-para-integracao-entre-apicultura-e-sojicultura
Wolowski, M. et. al. Relatório temático sobre polinização, polinizadores e produção de alimentos no Brasil [livro eletrônico]. São Carlos, SP: Editora Cubo, 2019. Acesso em 6 de setembro de 2025. Disponível em: https://www.bpbes.net.br/wp-content/uploads/2019/03/BPBES_CompletoPolinizacao-2.pdf





