A.B.E.L.H.A. lança nova plataforma sobre abelhas sem ferrão no Brasil 

Crédito: FCM

Plataforma Atlas da Meliponicultura no BrasilO Mapa das Abelhas Sem Ferrão da A.B.E.L.H.A. cresceu e virou plataforma de informações! Resultado de um amplo trabalho de pesquisa e curadoria, a nova ferramenta passa a se chamar Atlas da Meliponicultura no Brasil e está disponível no site da Associação a partir de hoje, 3 de outubro, Dia Nacional da Abelha. 

A ferramenta de acesso gratuito reúne dados sobre 93 espécies de abelhas sem ferrão (ASF) com maior potencial para criação em cada Estado brasileiro. Com painel dinâmico e interativo, o principal objetivo da plataforma é auxiliar na escolha das espécies que ocorrem localmente em cada Estado, e, assim, contribuir para que o meliponicultor aprimore sua criação profissional – ou para que o entusiasta da meliponicultura dê o pontapé inicial na atividade, que pode ser geradora de emprego e renda para muitas famílias.  

Vale lembrar que o Atlas da Meliponicultura no Brasil não tem o objetivo de listar todas as espécies de abelhas sem ferrão com distribuição conhecida em cada Estado, mas sim aquelas que possuem iniciativas de manejo e são mais comumente criadas pelos meliponicultores.

De acordo com a diretora-executiva da A.B.E.L.H.A., Ana Assad, o Atlas deverá, com o tempo, incorporar outros dados relevantes sobre a criação de abelhas sem ferrão.

Nosso objetivo é reunir informações que contribuam efetivamente para o dia a dia do meliponicultor no manejo de suas colônias e que, desta forma, a atividade se fortaleça ainda mais em todo o Brasil. O potencial para isso é imenso e queremos fazer parte do processo.

Assad aponta ainda que o Atlas pode ser útil para agricultores identificarem espécies de abelhas sem ferrão que podem ser atraídas aos cultivos para elevar a produtividade por meio do serviço de polinização. “Hoje sabemos, por exemplo, que a presença de abelhas na florada do café arábica pode aumentar a produção de grãos em até 30%.” 

Como consultar a plataforma

Atlas Meliponicultura destaques site

Busca por espécies

icmbio moure

  • No campo superior direito, escolha o catálogo de informações desejado: ICMBio, Catálogo de Abelhas Moure ou ambos. No campo Filtros, procure ou digite o nome científico ou popular da abelha sem ferrão ‒ é possível selecionar mais de um nome. 
  • Após a seleção, o(s) Estado(s) onde a espécie tem ocorrência será(ão) destacado(s) no mapa. No gráfico pizza, será(ão) indicado(s) a(s) Região(ões) onde a(s) espécie(s) tem registro(s) de ocorrência.
  • Na tabela de espécies de abelhas sem ferrão, é possível selecionar uma ou mais espécies. Os Estados de ocorrência dessas espécies serão destacados no Mapa e demais gráficos e tabelas da ferramenta. 

OBS.: Como os nomes populares variam entre as regiões, foram apresentados mais de um nome para algumas das espécies, com base no Catálogo de Abelhas Moure e no e-book Abelhas sem ferrão relevantes para a meliponicultura no Brasil.

Busca por Estado ou Região

  • Nas abas no canto superior direito, escolha o catálogo de informações desejado: ICMBio, Catálogo de Abelhas Moure ou ambos. Em seguida, siga um dos três caminhos disponíveis: no mapa do Brasil, clique na Unidade da Federação ‒ com a tecla CRTL pressionada, é possível selecionar mais de um Estado; também é possível selecionar o(s) Estado(s) por meio da tabela Espécies por UF; uma terceira opção é clicar em uma Região no gráfico pizza. 
  • Qualquer que seja o caminho seguido, a tabela da direita irá listar as espécies de abelhas sem ferrão com ocorrência no(s) Estado(s) ou Região(ões) selecionado(s). Na tabela Espécies por UF será indicado o número de espécies com ocorrências em cada Estado. 
  • A tabela Espécies por UF também aponta o total de espécies únicas que ocorrem nos Estados selecionados. Por exemplo, ao selecionar Bahia e Minas Gerais no catálogo ICMBio, o primeiro Estado terá 36 espécies de abelhas e o segundo, 32. No entanto, apenas 42 têm ocorrência em ambos os Estados na lista do ICMBio, como indicado no campo Total de espécies únicas

Consulta ao InfoA.B.E.L.H.A.

  • Na tabela principal, para cada espécie, também há um link que direciona para a página correspondente no Sistema de Informação Científica sobre Abelhas Neotropicais, onde poderão ser exploradas mais informações sobre a espécie, a exemplo de plantas que usam para a coleta de pólen e néctar, trabalhos científicos sobre sua biologia e seu comportamento e imagens que auxiliam no reconhecimento e identificação. O sistema integra a plataforma de dados científicos infoA.B.E.L.H.A., desenvolvida pela A.B.E.L.H.A. em parceria com o Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA).

https://abelha.org.br/atlas-da-meliponicultura-no-brasil/ 

Por dentro do Atlas da Meliponicultura no Brasil

Seleção das abelhas sem ferrão As 93 espécies apresentadas na plataforma foram selecionadas do Catálogo Nacional de Abelhas-Nativas-Sem-Ferrão, publicado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) por meio da Portaria nº 665/2021, que disponibiliza uma lista com quase 100 espécies manejadas no Brasil.

Essa lista de espécies foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores, que primeiramente definiram três categorias de classificação: (1) espécies não manejadas; (2) espécies com manejo rústico; e (3) espécies com manejo avançado. Com base nos critérios definidos para as categorias e consulta a especialistas com conhecimento em manejo de abelhas sem ferrão, os pesquisadores chegaram às espécies presentes no Catálogo Nacional de Abelhas-Nativas-Sem-Ferrão, que correspondem àquelas classificadas nas categorias 2 e 3.

Distribuição geográfica nos EstadosPara a apresentação da distribuição geográfica de cada espécie nos Estados brasileiros, foram usadas duas fontes de informação: o Catálogo Nacional de Abelhas-Nativas-Sem-Ferrão, publicado pelo ICMBio, e o Catálogo de Abelhas Moure, atualizado para Meliponini ‒ tribo que inclui as abelhas sem ferrão ‒ em julho de 2023. Para Tetragona quadrangula, também foi consultada a Portaria CFB/SP – 4/2021 para a inclusão do Estado de São Paulo na distribuição geográfica indicada no Catálogo Nacional de Abelhas-Nativas-Sem-Ferrão.

Por que algumas espécies não estão presentes nos dois catálogos?Na plataforma, é possível escolher a fonte desejada para conhecer os Estados de ocorrência, se ICMBio ou Catálogo de Abelhas Moure, ou optar por ambas. É importante considerar que, ao comparar as duas fontes de informação, para algumas espécies não há correspondência total dos Estados de ocorrência. 

Uma das explicações está relacionada à metodologia usada, que difere entre as fontes: enquanto a base de informações do Catálogo de Abelhas Moure são publicações taxonômicas, ou seja, dados de identificação, descrição e classificação dos insetos disponíveis na literatura, a do Catálogo Nacional de Abelhas-Nativas-Sem-Ferrão foi uma compilação de registros de ocorrência que constavam no Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE) e na base de dados do speciesLink (do Centro de Referência em Informação Ambiental, CRIA), assim como da consulta de especialistas e publicações científicas. 

Também foi realizada uma consulta pública para aumentar a abrangência do levantamento. Contudo, apenas as informações que tinham referências em publicações técnico-científicas e coleções biológicas foram incluídas pelo ICMBio no Catálogo Nacional de Abelhas-Nativas-Sem-Ferrão.

Por fim, cabe ressaltar também que a distribuição geográfica das espécies apresenta limitações, pois representa o conhecimento obtido por levantamentos de informações de uma parcela da comunidade de especialistas em abelhas sem ferrão, espécimes depositados em coleções biológicas e publicações científicas sobre o assunto. Além disso, nem todos os dados de coleções biológicas estão disponíveis como uma base de dados informatizada e existem informações taxonômicas ainda não publicadas na literatura, o que dificulta a incorporação nos catálogos. O conhecimento sobre a ocorrência das espécies será aprimorado à medida que sejam avançadas as pesquisas sobre a taxonomia e distribuição geográfica das espécies-chave para a meliponicultura.

Para mais informações sobre a seleção das espécies listadas no Catálogo Nacional de Abelhas-Nativas-Sem-Ferrão e a definição da distribuição geográfica, consulte o capítulo Conservação e distribuição de Abelhas-Nativas-Sem-Ferrão (ANSF): desenvolvimento e importância do Catálogo Nacional dos Estados de Ocorrência das ANSF presente no e-book Abelhas sem ferrão relevantes para a meliponicultura no Brasil.

Para conhecer quais são as 251 espécies de abelhas sem ferrão descritas atualmente para o Brasil, consulte o Catálogo de Abelhas Moure.

Se você tem interesse em iniciar a atividade de meliponicultura, conheça outros materiais da A.B.E.L.H.A. que podem ajudar a montar o seu negócio:

  • Curso de Meliponicultura Embrapa/A.B.E.L.H.A. 

www.embrapa.br/e-campo e no canal da Embrapa Meio Ambiente no YouTube, com linguagem acessível, rico em imagens e demonstrações práticas. O curso é idealizado e ministrado por Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente na área de abelhas e polinização, e também membro do comitê científico da A.B.E.L.H.A.. 

Podcasts