Produtores de mel se beneficiam com Denominação de Origem

Produtores de mel se beneficiam com Denominação de Origem

27 de novembro de 2015

O Brasil é um país de dimensões continentais e de uma diversidade cultural difícil de definir. Mas parte desta riqueza pode ser contemplada no mapa das Indicações Geográficas (IGs) do Brasil Rural. Não se trata de uma delimitação sociopolítica, mas de uma demarcação segundo a lógica do saber fazer e das características de uma determinada região, que resultam em especificidades a um produto. “Uma Indicação Geográfica reconhece e protege a reputação, as condições naturais de produção e o saber fazer local”, diz Hulda Giesbrecht, analista de inovação e tecnologia do Sebrae.

Há dois tipos de IGs: a Indicação de Procedência e a Denominação de Origem (DO). No primeiro caso, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) chancela por dados históricos e entrevistas que um produto é diferenciado. No segundo, o órgão atesta que o produto é proveniente de um terroir, termo em francês que designa uma extensão limitada de terra com solo, clima e topografia que conferem um sabor único não encontrado em outros lugares.

Pioneirismo

A primeira IG reconhecida pelo INPI foi a do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, e a última foi a DO do mel de Ortigueira, no Paraná. Ana Mozuski Kutz, presidente da Associação dos Apicultores de Ortigueira (Apomel), que reúne 48 associados, diz que o registro vai ajudar no reconhecimento. “A gente falava que o nosso mel era diferente dos outros produzidos no Brasil, mas o pessoal não acreditava”, diz.

Ana é de uma família com tradição na apicultura. Seu marido e os filhos têm 2.200 caixas de abelhas e produzem cerca de 80.000 quilos dos 500.000 quilos produzidos anualmente na região. A localidade tem um clima ameno, classificado como subtropical úmido, com chuvas concentradas no verão – a média mensal de precipitação nestes meses é de 110 milímetros e temperatura inferior a 22°C. As principais floradas para produção de méis monoflorais são de capixingui, eucalipto, assa-peixe, canelas, maria-mole, gurucaia, aroeira, vassourinha, gabiroba e angico. As demais floradas de outras espécies melíferas formam o mel silvestre, que é a mistura de vários néctares.

Antes da DO, a produção era comercializada a granel para unidades de beneficiamento no Paraná e Santa Catarina, que negociavam no mercado interno e externo. Mas, a partir de dezembro, o próprio apicultor vai poder envazar e vender seu mel, uma vez que entra em funcionamento a unidade de beneficiamento da Apomel, que já tem o Serviço de Inspeção Federal (SIF). “Com este reconhecimento da qualidade do nosso mel, esperamos que ele seja ainda mais valorizado pelo mercado”, diz Ana. O registro atraiu empresários de redes de supermercados e padarias querendo comprar o produto a granel para envazar.

Fonte: Revista Globo Rural – Lívia Andrade

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