Pesquisadores pedem participação na elaboração de políticas públicas para conservar polinizadores

Pesquisadores pedem participação na elaboração de políticas públicas para conservar polinizadores

20 de Fevereiro de 2017

Cientistas, docentes e discentes, especialistas em Biologia e Ecologia da Polinização no Brasil que participaram do II Simpósio Brasileiro de Polinização (Catalão-GO) endossaram a Carta Catalão, um documento que tem o objetivo de chamar a atenção do Governo Federal para as ameaças atuais às interações entre polinizadores e plantas e os custos econômicos e sociais da perda da sustentabilidade destes serviços para o País.

O texto foi elaborado, conjuntamente, por Blandina Viana, da Universidade Federal da Bahia (idealizadora da iniciativa), Kayna Agostini (Universidade Federal de São Carlos – UFSCar), Marina Wolowski (Universidade Federal de Alfenas – Unifal), Paulo Eugênio de Oliveira (Universidade Federal de Uberlândia – UFU), André Rech (Univ. Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM) e Hélder Consolaro, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e presidente do Simpósio, que assina o documento.

A Carta foi endereçada à Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente e está sendo enviada a outros órgãos do governo brasileiro.

Em entrevista para a A.B.E.L.H.A., Hélder Consolaro afirma que a Carta Catalão tem por objetivo maior, naturalmente, a conservação dos polinizadores e, consequentemente, a manutenção dos sistemas reprodutivos das plantas. “Entretanto, a partir dessas ações básicas de conservação, será possível preservar os ecossistemas e manter o uso sustentável do serviço ambiental prestado pelos polinizadores”, completa.

apicultura-4-red

Políticas públicas

No documento, os 149 participantes afirmam que somente políticas públicas que abracem as estratégias de conservação definidas na 13ª Conferência das Partes da Convenção da Biodiversidade podem ajudar a dirimir os riscos aos polinizadores e garantir o uso sustentável deste importante serviço ambiental.

Além disso, destacam algumas das recomendações da Plataforma Intergovernamental sobre a Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), a exemplo da transformação das paisagens agrícolas em paisagens amigáveis aos polinizadores e do incentivo à integração da sociedade com a natureza, buscando promover a conservação da biodiversidade e a participação do cidadão no processo.

“Tendo em vista a excelente oportunidade de mudança da política em escala mundial para salvaguardar os polinizadores em diversos países – e a inclusão do tema na 13ª Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica –, solicitamos do Governo Federal, por intermédio do Ministério do Meio Ambiente, a inserção integral do Brasil na discussão e no desenvolvimento de uma Política Nacional para uso e conservação de polinizadores e do serviço de polinização, com o objetivo de gerar conhecimentos e desenvolver estratégias para conservação e manejo sustentado da polinização e dos polinizadores.”

A Carta pede ainda a participação da comunidade cientifica brasileira na elaboração da política nacional, tendo em vista a importância do conhecimento científico na formulação de políticas públicas e na tomada de decisão.

“A comunidade científica tem o papel de reivindicar ações por parte dos órgãos competentes, participar dos processos decisórios e gerar informações científicas para subsidiar essas ações, ressalta o professor Consolaro. “Para tanto, é necessário que haja financiamento de projetos de pesquisa para que os pesquisadores consigam gerar dados suficientes para isso, o que vem diminuindo muito nos últimos anos’, enfatiza.

Novas ações

O II Simpósio Brasileiro de Polinização (Catalão, Goiás) foi realizado em outubro do ano passado na UFG, em Catalão (GO), oportunidade na qual ainda foi criada a Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP), que tem como objetivo agregar de forma organizada e padronizada o grande volume de dados disponíveis na literatura e dos grupos de pesquisa de especialistas em Biologia da Polinização no país.

A partir dessa rede, será possível trabalhar os dados voltados à conservação e ao manejo de polinizadores e dos serviços de polinização.

O próximo Simpósio Brasileiro de Polinização, evento bianual, terá sua terceira edição em 2018, na Unesp-Botucatu.

Leia aqui a Carta Catalão.

Compartilhe: