Mulheres do Lago de Sobradinho são capacitadas para a criação de abelhas

Mulheres do Lago de Sobradinho são capacitadas para a criação de abelhas

18 de dezembro de 2015

A criação de abelhas pode ser uma nova alternativa produtiva para mulheres que vivem no entorno do Lago de Sobradinho, na Bahia. Um grupo de 30 moradoras dos municípios de Casa Nova, Remanso, Sobradinho, Pilão Arcado e Sento Sé terminarão o ano de 2015 prontas para iniciar a atividade.

A capacitação foi feita por meio de cursos de meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) oferecidos ao longo do ano pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Semiárido) e Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). O último deles foi realizado no fim da semana passada, no povoado do Sítio, em Sento Sé.

mulheres sobradinho

Crédito: Fernanda Birolo

De acordo com a instrutora Eva Mônica Sarmento, professora da Univasf, esta é uma forma de dar valor às mulheres e de incentivá-las a ter uma fonte de renda. Segundo ela, a criação de abelhas, seja com ou sem ferrão, não exige tanta força física, e as mulheres têm condições de trabalhar nesta atividade.

Prova disso é a experiência de Lucidalva Lacerda, do município de Sobradinho, que há dois anos trabalha com a criação. “É tão gratificante que não é cansativo”, afirma, contando que capturou as abelhas “na mata, de machado e sozinha”. Segundo ela, somente no ano passado, com 17 caixas de abelha, produziu 800 litros de mel, o que gerou um incremento de cerca de R$ 4 mil na sua renda. Com o curso, diz que teve a oportunidade de aprender técnicas que não conhecia, como a pintura das caixas e o manejo correto das abelhas.

“Com foco na meliponicultura, essas mulheres também vão contribuir com a sustentabilidade do ecossistema”, destaca o instrutor José Fernandes Neto, engenheiro agrônomo da extinta Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). Segundo ele, são as abelhas nativas que fazem a polinização e a perpetuação das plantas da Caatinga.

Esse viés da atividade também conquistou a produtora rural e professora de geografia Maria Aparecida Silva, de Sobradinho, que se declara “amante da Caatinga e da natureza”. Ela conta que aprimorou no curso todo o conhecimento adquirido com os avós, e pretende começar a criação: “A mulher é mais cuidadosa, atenciosa, acredita mais, e eu tenho esperança de que no futuro vai dar resultado”.

Para que possam iniciar ou potencializar as atividades, cada uma das mulheres beneficiadas pelo projeto receberá 20 colmeias – 10 para abelhas sem ferrão e 10 para abelhas com ferrão –, além dos acessórios necessários, como macacões, luvas, botas, fumegador, cera alveolada, suporte para colmeias, entre outros. Em 2016, elas participarão ainda de uma nova capacitação, dessa vez em criação de abelhas com ferrão (apicultura).

Histórico

Desde 2005, produtores dos cinco municípios vêm sendo beneficiados pelo Projeto Lago de Sobradinho, realizado em parceria entre a Embrapa Semiárido e a Chesf, com atuação voltada para o desenvolvimento sustentável de comunidades rurais situadas no entorno do lago. De acordo com seu coordenador, o pesquisador da Embrapa Rebert Coelho Correia, são desenvolvidas diversas atividades, envolvendo a agricultura, pecuária, piscicultura entre outras. Porém, sem diferenciação entre mulheres e homens, estes acabam sendo mais beneficiados, visto que ainda são maioria no meio rural.

“Daí a ideia de aproveitar toda a estrutura já montada na região para atender a este público específico e com grande potencial para a criação de abelhas”, afirma Rebert. Este novo projeto, denominado Inserção e capacitação da mulher em atividade da agricultura familiar em Municípios do Território do Sertão do São Francisco, é coordenado pela Univasf, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), e realizado em parceria com a Embrapa e a Chesf por meio do Projeto Lago de Sobradinho.

Fonte: Embrapa Semiárido – Fernanda Birolo

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