Meliponicultura: a criação de melíponas e trigonas, abelhas sem ferrão nativas do Brasil

Meliponicultura: a criação de melíponas e trigonas, abelhas sem ferrão nativas do Brasil

25 de julho de 2017

Um setor que tem se desenvolvido no Ceará e no Nordeste como um todo, nos últimos anos é o da meliponicultura — criação de melíponas e trigonas, abelhas sem ferrão nativas do Brasil. Segundo Breno Magalhães Freitas, professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará (UFC), essas abelhas são os principais responsáveis pela polinização da grande maioria das espécies vegetais no País. Seus subprodutos, como o mel e o geoprópolis, explica o docente, são utilizados pela população rural como medicamentos e existe uma forte cultura popular do seu criatório e da apreciação de seus produtos.

No Ceará, um dos criadores de abelhas sem ferrão é Francisco Ximenes Braga, que mantém um meliponário com 380 caixas de abelhas nativas do Brasil, no município de Aquiraz. “Sou mais para preservar. Se produzir mel é lucro”, afirma. Com centenas de colônias de abelhas sem ferrão em Pernambuco, Francisco das Chagas Carvalho também é empreendedor na criação de melíponas. Engenheiro aposentado, ele tem a meliponicultura como paixão há mais de 40 anos. Para o produtor, a conservação desses animais depende dos criadores, como ele. “Nós não produzimos mel, nós produzimos abelha. Se der mel, melhor”, afirma.

Outra vantagem da meliponicultura é ajudar a aumentar a renda da agricultura familiar. Esse é o caso de Jorginaldo Lopes do Nascimento, agricultor de 36 anos que mora em Quixelô, na região Centro-Sul do Estado. Com mais de 100 caixas de abelhas, sobretudo da espécie Jandaíra, o agricultor revela que a produção de mel depende muito do inverno. “No ano passado, tirei uns 40 litros. Já neste ano foi mais fraco, só tirei uns 30 litros”. Ele conta que o maior desafio na produção de mel são as chuvas irregulares e as secas. Por isso, ele só colhe o material no inverno, de março a julho, quando as abelhas estão mais fortes.

De acordo com Jorginaldo, o mercado consumidor é formado, em sua maior parte, pelos compradores da região, que utilizam o mel como remédio, devido ao seu poder medicinal. Para ele, apesar dos desafios do negócio, “não tem preço” cuidar das abelhas. “O que eu mais gosto é de estar no meio delas, poder multiplicá-las e saber que estou contribuindo e ajudando a preservar essa espécie tão maravilhosa. Me sinto realizado”, reconhece. Para quem deseja começar no negócio da meliponicultura, a dica de Jorginaldo é começar com abelhas mais conhecidas e que tenham na sua região. Assim, elas vão se adaptar melhor.

Os criadores concordam que o Ceará é terreno fértil para a criação de abelhas sem ferrão. O professor Breno Magalhães Freitas, Ph.D. em Abelhas e Polinização, sustenta a mesma crença: “O Ceará e o Nordeste, de uma certa maneira, têm uma vocação para criação de abelhas, que são insetos e têm sangue frio. Então precisam de calor. Tendo calor e tendo flor, você tem condição de produzir bastante”, evidencia o docente.

Abelha Jataí

Crédito: Cristiano Menezes

Associação Cearense de Meliponicultores

Ainda não é possível falar de um número concreto de meliponicultores no Estado nem há estatísticas precisas, é o que informa José Fabião de Vasconcelos, Diretor-Presidente da Associação Cearense de Meliponicultores (ACMEL). Criada em setembro de 2013, associação já é uma iniciativa para organizar a categoria. Também busca promover capacitações e ações para preservação das abelhas sem ferrão e para fomentar o setor de meliponicultura, ainda pouco explorado no Ceará. Vasconcelos adianta que um seminário de grande porte está sendo preparado para o início de 2018.

Meliponicultura X Apicultura: Entenda a diferença

A abelha que a maioria da população brasileira conhece é a Apis mellifera, espécie com ferrão introduzida no Brasil por africanos e italianos. Daí ser conhecida como abelha italiana ou africanizada. A criação desse tipo de abelha se chama apicultura, e seu mel é facilmente encontrado nas farmácias e supermercados.

E existem também as “abelhas sem ferrão” (com o ferrão atrofiado), típicas de regiões tropicais e subtropicais, como Américas do Sul e Central, África, Sudoeste da Ásia e Austrália. No Brasil, são nativas e estão presentes em todo o território nacional, sendo mais conhecidos os exemplares da Subfamília Meliponinae, isto é, as abelhas melíponas e trigonas. Daí vem o termo meliponicultura, para falar da criação de meliponíneos, e meliponário, para se referir ao local onde esses insetos são criados, geralmente agrupados em caixas horizontais.

Regra de ouro

Para quem deseja começar no negócio da meliponicultura, a dica do agricultor Jorginaldo Lopes do Nascimento é começar com abelhas mais conhecidas e que tenham na sua região. Assim, elas vão se adaptar melhor.

Fonte: Diário do Nordeste

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