Exportações nordestinas de mel alcançam 5,3 mil toneladas

Exportações nordestinas de mel alcançam 5,3 mil toneladas

18 de agosto de 2017

Após dois anos consecutivos de queda, ocasionados por forte estiagem que atinge a região, o Nordeste conseguiu retomar patamares estáveis de exportação de mel, alcançando, em 2016, o volume de 5,3 mil toneladas, o que gerou montante de US$ 19,5 milhões em divisas. A informação foi divulgada na mais recente edição dos Cadernos Setoriais do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), órgão de estudos do Banco do Nordeste. O relatório está disponível em www.bnb.gov.br/publicacoes-editadas-pelo-etene.

De acordo com o estudo, o consolidado das exportações em 2016 confirma o ritmo de retomada do setor verificado desde 2014, quando o volume comercializado com o mercado estrangeiro atingiu 5,4 mil toneladas. Esse cenário manteve-se ligeiramente inferior em 2015, ano em que foram exportadas 5 mil toneladas de mel. O triênio de retomada não alcançou, porém, os resultados de 2011, quando o Nordeste chegou a exportar 9,7 mil toneladas, antes das quedas consideráveis em 2012 (4,6 mil toneladas) e 2013 (2,9 mil toneladas).

Segunda a autora do estudo, Maria de Fátima Vidal, engenheira agrônoma e técnica do Etene, a escassez de chuvas ocorrida na região, a partir de 2012, ocasionou perda de enxames (abandono de colmeias ou morte de abelhas) não somente pela falta de alimentação, mas também por conta das altas temperaturas sem o devido sombreamento. “Essa drástica queda das exportações nordestinas abriu uma janela de oportunidade aproveitada pela Região Sul que, a partir de então, tornou-se a maior produtora e exportadora de mel no País”, asseverou.

Ainda assim, o estudo pondera que a Região Sul tem apresentado produção decrescente em 2014 e 2015, especialmente, no estado do Rio Grande do Sul, afetado por grande desaparecimento de abelhas, ocasionado por excesso de chuvas e uso indiscriminado de agrotóxicos. Em contraposição, o semiárido nordestino é considerado a área de maior potencial de produção de mel orgânico no País, já que a principal fonte de néctar e pólen é a vegetação nativa. Vale salientar que o mel orgânico é um produto extremamente valorizado no mercado internacional.

“Podemos estar diante de uma nova oportunidade de crescimento das exportações do mel nordestino, uma vez que os Estados Unidos e a Europa têm elevado seus níveis de exigência em relação à qualidade do mel adquirido”, explicou.

Participação dos Estados

Atualmente, a maior parte da produção de mel do Nordeste (78,4%) é exportada para os Estados Unidos. No comparativo nacional, a região deteve 21,9% do volume total exportado em 2016. Apesar da melhoria em relação aos anos mais críticos de seca (2012 e 2013), o valor é, mesmo assim, 45% inferior ao alcançado em 2011. A dificuldade de recuperação da produção dos estados do Ceará e Rio Grande do Norte, ainda submetidos à extrema falta de chuva, seria uma explicação para esse fato.

O mercado potiguar, em especial, foi seriamente afetado pela seca, uma vez que o Rio Grande do Norte vinha se consolidando enquanto importante exportador de mel e, em 2016, não conseguiu retomar esse mercado. Por outro lado, o Ceará, que exportava 4,1 mil toneladas em 2011, viu esse volume diminuir para 1,2 mil toneladas ano passado. Por sua vez, o Piauí, também seriamente atingido pela estiagem, conseguiu recuperar os patamares de exportação de 2011.

No âmbito da produção, a quebra da safra ajudou a alavancar a Bahia e o Piauí como os grandes produtores da região. Esse novo cenário também abriu espaço para o Maranhão, que chegou a produzir, em 2015, quase a mesma quantidade de mel que o Ceará. Esse estado, antes considerado o segundo maior produtor de mel da Região, participou com apenas 10% da fatia do mercado em 2015.

Fonte: bahiadevalor

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