Estudo mapeia 214 espécies de abelhas

Estudo mapeia 214 espécies de abelhas

14 de outubro de 2015

No maior levantamento da diversidade de abelhas já feito até hoje no Brasil, cientistas coletaram 16 mil exemplares de 214 espécies diferentes, a fim de mapear o papel desses insetos na polinização da vegetação natural e das plantações. Além de descobrir nove espécies até agora desconhecidas no País, estudos comprovaram que a presença das abelhas aumenta consideravelmente a produtividade das culturas agrícolas.

Eles constataram também que, para a polinização, a diversidade de espécies é mais importante que a quantidade de abelhas. Concluído recentemente, o projeto Polinizadores do Brasil faz parte de um programa de pesquisas global, iniciativa da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), coordenado no País pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e pelo Ministério do Meio Ambiente, com participação de pesquisadores de 18 instituições. “Muita gente pensa que a abelha só produz mel.

Uma pesquisa de opinião incluída no projeto mostrou que 75% dos brasileiros desconhecem o papel delas na polinização. Abelhas são responsáveis por polinizar mais de 50% das plantas das florestas tropicais, 80% das do cerrado e 73% de todas as culturas agrícolas do mundo”, disse a coordenadora do projeto, Vanina Mattos, do Funbio.

Segundo Vanina, a abelha mais abundante, a Apis mellifera, é justamente a única das 214 espécies que não tem origem no País. Híbrida de abelhas da Europa e da África, tornou-se tão comum que quase ninguém se dá conta da diversidade de abelhas nativas no Brasil. “O projeto mostra que, embora a Apis mellifera também tenha um importante papel na polinização, há muitas outras fazendo esse serviço essencial.

Mais que isso: é justamente essa diversidade de espécies que garante culturas produtivas”, explicou. Diversos experimentos realizados ao longo dos cinco anos do projeto mostraram que as abelhas de fato aumentam bastante a produtividade de culturas como algodão, tomate, melão, castanha, canola, maçã e caju. “Algumas plantas podem ser polinizadas pelo vento e por outros animais, mas são muito mais produtivas quando há abelhas. Certas culturas, como o maracujá, a maçã e o melão, simplesmente não existiriam sem abelhas”, disse. O impacto da polinização na qualidade dos alimentos também é claro, mesmo em plantas como o tomateiro, capazes de autopolinização. “É visível. Se houver abelhas na área, o tomate fica bem maior e mais bonito, com um impacto direto na economia.”

A bióloga Carmen Pires, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, liderou os experimentos do projeto sobre a polinização do algodoeiro na Paraíba, em Mato Grosso e Goiás. Os resultados mostram que as flores de algodão, quando são polinizadas por abelhas, apresentam um aumento de 12% a 16% no peso da fibra e um incremento de 17% de sementes por fruto. “O algodão pode se autopolinizar. Mas, com as abelhas levando pólen de uma flor para outra, a eficiência é muito maior, produzindo muito mais sementes. Como a fibra do algodão cresce em torno da semente, quanto mais sementes, maior a produtividade.”

Fonte: Estadão.com – Fábio de Castro

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