Estudo aborda os efeitos das mudanças climáticas sobre morcegos na Amazônia Oriental

Estudo aborda os efeitos das mudanças climáticas sobre morcegos na Amazônia Oriental

15 de fevereiro de 2018

As mudanças climáticas provocadas por atividades humanas são uma das principais ameaças atuais para a biodiversidade, e têm sido frequentemente associadas ao declínio de várias espécies.

Nesse contexto, pesquisadores brasileiros buscaram avaliar os efeitos das alterações do clima na distribuição de espécies de morcegos que ocorrem na Floresta Nacional de Carajás (Amazônia Oriental, sudeste do estado do Pará).

Por que morcegos? Porque eles ocupam diferentes nichos tróficos e desempenham funções diferentes na natureza, atuando como polinizadores de flores (nectarívoros), dispersores de sementes (frugívoros) e controladores de pragas (insetívoros). Isso significa que morcegos prestam importantes serviços ecossistêmicos, inclusive para a produção de alimentos.

Os cientistas buscaram responder duas questões: (i) quais espécies são potencialmente mais sensíveis às mudanças climáticas e não podem encontrar áreas adequadas em Carajás no futuro, e (ii) Quais são as áreas prioritárias que protegem o maior número de espécies das mudanças climáticas.

Foram analisadas 83 espécies de morcegos em cenários projetados para 2050 e 2070. Do total de espécies analisadas, 47 (57%) potencialmente não encontrarão áreas adequadas para sua sobrevivência em Carajás.

Morcegos polinizadores, dispersores de sementes e onívoros (que metabolizam diferentes tipos de alimentos) serão potencialmente os mais afetados, visto que, no cenário projetado para o ano 2070, deverá haver uma diminuição de 28% a 36% na área apropriada para seu habitat. Tal fato pode ainda ter implicações para as plantas com as quais essas espécies interagem.

Os pesquisadores concluíram que a Floresta Nacional de Carajás bem como outras unidades de conservação no Pará não protegerão a maioria das espécies no futuro. As áreas mais adequadas para esse fim estão localizadas principalmente no norte e oeste do Estado e apresentam hoje diferentes graus de conservação: de áreas protegidas bem conservadas a áreas já degradadas por efeito da ação humana.

O estudo, publicado no periódico Biological Conservation, foi realizado pelos pesquisadores Wilian França Costa (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e Instituto Tecnológico Vale); Vera Lucia Imperatriz-Fonseca e Tereza Cristina Giannini (Instituto Tecnológico Vale); Mariane Ribeiro (Licenciamento Ambiental & Espeleologia Vale S.A.); e Antonio Mauro Saraiva (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo).

Fonte: ScienceDirect

Crédito das imagens em destaque: Robson de Almeida Zampaulo

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