Estudantes desenvolvem sabão repelente para evitar inseticidas em pomares

Estudantes desenvolvem sabão repelente para evitar inseticidas em pomares

2 de novembro de 2016

Estudantes da Escola do Sesi em São João da Boa Vista (SP) produziram um sabão à base de óleo e ervas capaz de repelir as abelhas dos pomares e evitar que os trabalhadores da colheita sejam picados. A ideia é proteger sem o uso de inseticidas.

O produto foi formulado em spray, líquido e pedra após sete meses de pesquisa e será apresentado pela equipe Ômega na fase regional do Torneio de Robótica First Lego League (FLL), em 16 de novembro.

Ideia

Neste ano, o tema da competição é “Aliança com animais” e, de acordo com a orientadora do grupo, a ideia veio dos próprios estudantes. Eles precisavam de um problema regional relacionado com bichos e de uma solução que não causasse danos à fauna.

“Eles pensaram nas plantações de laranja porque há muitos relatos de trabalhadores que são picados e, por conta disso, os fazendeiros acabam aplicando inseticidas que matam as abelhas. Então criaram essa solução para que não aconteça esse tipo de morte”, explicou Amanda Christovam, analista de suporte em informática e técnica da equipe.

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Crédito: Amanda Christovam

Os alunos já produziram 36 litros da fórmula e distribuíram entre trabalhadores da região. Os testes estão sendo conduzidos por um apicultor. Empresas que produzem sabão também foram contatadas e aprovaram o projeto, que é financiado pelo próprio grupo e fabricado por R$ 2 cada litro.

Funcionamento

 Disponível em líquido, barra e spray, o produto desenvolvido pelos alunos Ana Beatriz de Oliveira, Larissa Gonçalves Teófilo, Guilherme Ferracim e Maria Eduarda de Paula, de 12 a 15 anos, tem efeito imediato. A duração média é de quatro horas e ele pode ser reaplicado.

De acordo com Amanda Christovam, a fórmula é composta por uma mistura de ervas e óleo de Neem, extrato de amêndoas capaz de repelir até 500 espécies de insetos.

“O desenvolvimento das receitas teve apoio de clínicos, biólogos e especialistas em abelhas, que também explicaram as propriedades de cada produto testado, e os produtos estão sendo feitos no laboratório de química da instituição”, explicou Amanda. O grupo também contou com a ajuda do professor de química e da professora Amanda Marrichi Martins.

“O sabão líquido demora cerca de dois dias para ser fabricado, já o spray, que deve ter uma duração um pouco maior, demora quatro dias”, disse a técnica.

Segundo a estudante Larissa Gonçalves Teófilo, de 12 anos, o óleo de Neem foi o único testado por ser um repelente natural.

“Fizemos testes para escolher a base do sabão. Testamos álcool e vinagre, mas vinagre deixa cheiro e modifica a receita e o álcool não modifica a receita e não libera cheiro, a não ser o da essência que nós colocamos”, explicou. “No nosso sabão temos álcool, água, soda cáustica, óleo de Neem e essência de flor de laranjeira”, completou.

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Crédito: Amanda Christovam

 

Fonte: G1 – Thayná Cunha

 

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