COP22 – Brasil apresenta produção agrícola com mitigação de CO²

COP22 – Brasil apresenta produção agrícola com mitigação de CO²

21 de novembro de 2016

cop22-redAumentar a produção agrícola mantendo a qualidade de seus produtos, reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) na agropecuária e, ao mesmo tempo, preservar a maior biodiversidade do planeta.

Esse panorama promissor do Brasil foi apresentado pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, durante a Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP22) realizada  em Marrakesh, no Marrocos, e que reuniu políticos, cientistas, ONGs e empresas para debater a aplicação do acordo sobre o clima de Paris. O presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, também fez parte da comitiva brasileira na Conferência.

Embasado no bom desempenho ambiental do setor agropecuário de hoje, Maggi acredita que o País é capaz de responder a grandes desafios mundiais apresentados pela ONU como o aumento da produção de alimentos para uma população mundial crescente, adaptação de sistemas produtivos e a mitigação dos gases de efeito estufa. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) prevê que o setor agropecuário nacional deverá reduzir as emissões de CO² equivalente em 0,9 gigatonelada no período entre os anos de 2005 e 2030.

Os resultados ambientais do setor agropecuário nacional devem-se, especialmente, ao Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC). Coordenado pelo Mapa, o Plano preconiza práticas sustentáveis que promovem a redução de emissões e retenção de carbono como a recuperação de pastagens degradadas, o plantio direto na palha, o plantio de florestas e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

ILPF

Crédito: Embrapa – João Costa Jr.

As áreas produtivas com sistemas de ILPF já somam no Brasil 11,5 milhões de hectares, de acordo com pesquisa patrocinada pela Rede de Fomento de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, elaborada pelo Kleffmann Group, com acompanhamento técnico da Embrapa Meio Ambiente (SP).

Outro aspecto importante frisado pelos representantes do Brasil em Marrakesh foi o potencial de preservação de vegetação nativa nas fazendas, prevista no Código Florestal do País. A comitiva brasileira frisou no evento que as áreas de preservação mantidas dentro das propriedades rurais brasileiras correspondem aos territórios da França e da Noruega somados. Por conta desses esforços, o ministro da Agricultura defendeu no evento que os produtos agrícolas brasileiros tenham preferência no mercado global, em função de cumprirem regras ambientais rigorosas.

Entre as metas assumidas pelo Brasil na COP21 até o ano de 2030, o setor agrícola se propôs a contribuir com a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens, aumentar em cinco milhões de hectares de sistemas ILPF e fornecer matérias primas para biocombustíveis como etanol e biodiesel que deverão responder por 18% do consumo energético nacional em 2030, de acordo com as previsões do governo. Por essas razões, o País coloca-se na Conferência como ator-chave na produção sustentável de alimentos e em produção de serviços ambientais.

“Somando-se as metas voluntárias assumidas anteriomente com o compromisso ratificado pelo País por meio da NDC, o Brasil se compromete a trabalhar 55,5 milhões de hectares e mais 12 milhões para recuperação e recomposição de florestas, o que representa mais de um quarto de todas as terras usadas pela agropecuária, nenhum outro país assumiu uma proposta tão audaciosa”, ressalta o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Celso Manzatto coordenador da Plataforma ABC, iniciativa multiinstitucional por monitorar no País, a adoção de tecnologias de Baixa Emissão de Carbono na agropecuária.

Para Manzatto, a Plataforma será um valiosa iniciativa tanto para validar os resultados alcançados pelo Brasil e, posteriormente, poder gerar dados confiáveis para uma certificação voltadas a produtos agropecuários sustentáveis, quanto ferramenta para disseminar a adoção dessas tecnologias nas mais diferentes condições produtivas do país. “A ideia é uma plataforma multiinstitucional com participação ativa da iniciativa privada a qual tem interesse na abertura e consolidação de mercados e na certificação de uma produção sustentável”, conta o pesquisador.

Para o presidente da Embrapa, o Brasil concentra todas as condições para se tornar líder mundial em intensificação baseada em tecnologias “poupa-recursos”, de baixa emissão de carbono e em ganhos na produtividade da terra. De acordo com Maurício Lopes, o País é um dos poucos do mundo com grandes extensões de terra com aptidão para uso sustentável.

Fonte: Embrapa

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