Cientistas estudam se abelhas enfermeiras conseguem ‘curar de propósito’

Cientistas estudam se abelhas enfermeiras conseguem ‘curar de propósito’

13 de Abril de 2015

Quando uma epidemia atinge a colmeia, as abelhas ficam lentas e desorientadas, e muitas delas não resistem. Mas cientistas descobriram que, dentro da sociedade das abelhas, existe um conjunto de “abelhas enfermeiras”, que espalham uma forma medicinal de mel que ajuda a curar doenças.

Um grupo de abelhas operárias, quando acometido com algum parasita, se alimenta com mel que possui alto nível antibiótico, segundo estudo de Silvio Erler, cientista da universidade alemã de Martin Luther.

A pesquisa mostrou que diferentes tipos de mel são mais eficientes contra variados tipos de doenças. Algumas abelhas foram infectadas com um parasita chamado Nosema ceranae e expostas a quatro tipos de mel diferentes. Três deles eram feitos a partir do néctar de plantas diferentes – a acácia-bastarda, o girassol e tília. Um quarto mel era feito da secreção de um tipo de inseto. Todos eles possuíam atividade antibiótica.

O estudo apontou que, para aquele parasita, as abelhas que se alimentaram de mel de girassol reduziram o nível de infecção em grau 7% superior às que se alimentaram dos outros tipos de mel. Segundo ele, isso seria importante para conter epidemias.

Já Francis Ratnieks, da Universidade de Sussex (Reino Unido), diz que esse tipo de técnica tem efeito limitado. “Se depois de seis dias comendo apenas um tipo de mel, a abelha reduziu o nível de infecção em apenas 7%, eu imaginaria que o efeito no resto da colmeia seria menor. As abelhas costumam coletar mel principalmente para se alimentar, não como forma de medicação”, diz Ratnieks.

As abelhas têm outras fontes de “remédios”. Um exemplo é a resina de plantas que elas coletam e incorporam a suas colmeias. Essas resinas ajudam a combater parasitas. Em 2012, um estudo mostrou que abelhas contaminadas com um determinado tipo de fungo se protegem coletando mais resina do que as demais.

As abelhas também são conhecidas por seus hábitos “higiênicos”. Operárias transportam o corpo de abelhas mortas para longe da colônia, para evitar a disseminação de doenças. Ratnieks cria abelhas que apresentam maior frequência desse comportamento, com o objetivo de gerar colmeias mais resistentes a doenças.

 

Fonte: BBC