Brasil é um dos maiores produtores de florestas plantadas do mundo

Brasil é um dos maiores produtores de florestas plantadas do mundo

25 de julho de 2016

As florestas plantadas no Brasil se estendem, atualmente, por cerca de 7 milhões de hectares, em sua grande maioria composta de pinus e eucalipto. Sua produção é destinada à indústria de papel e celulose, carvão vegetal, madeira serrada, produtos de madeira sólida e madeira processada, além da borracha.

Além de pinus e eucalipto, espécies como seringueira, acácia, paricá, teca, araucária e pópulus também estão entre as mais cultivadas. O Estado de Minas Gerais lidera em área plantada, contando 1,49 milhão de hectares, seguido por São Paulo (1,18 milhão), Paraná (817 mil), Bahia (616 mil) e Santa Catarina (645 mil hectares). Juntos, estes Estados abrangem 72% da superfície nacional de florestas plantadas.

Atualmente, o País é um dos maiores produtores de floresta plantada no mundo e está em 4º lugar no ranking mundial dos produtores de celulose. Em 2014, a produção brasileira de celulose totalizou 16,4 milhões de toneladas. Para aumento dos plantios, ampliação e construção de fábricas, até 2020, estimam-se investimentos de R$ 53 bilhões, segundo a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ).

Benefícios econômicos e ecológicos

Sistemas Agroflorestais (SAFs) são formas de uso ou manejo da terra, nos quais são combinados espécies arbóreas (frutíferas e madeireiras) com cultivos agrícolas e criação de animais, de forma simultânea ou em sequência temporal, que promovem benefícios econômicos e ecológicos. Para o presidente da Comissão Nacional de Silvicultura e Agrossilvicultura, da CNA, Walter Vieira Rezende, “o solo é o principal patrimônio do produtor rural, e os SAFs surgem como uma alternativa para otimização do uso da terra ao conciliar a produção de alimentos com a produção florestal, conservando o solo e diminuindo a pressão pelo uso da terra para o cultivo agrícola. Áreas de vegetação sem expressão econômica ou social podem ser reabilitadas e usadas racionalmente por meio de práticas agroflorestais, agregando valor à propriedade”, conclui.

Conheça algumas práticas desenvolvidas nos Estados de Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará e Espírito Santo.

 

Paraná

A silvicultura é uma atividade que envolve 86,1 mil pessoas em todo o estado do Paraná, entre elas está João Afonso de Melo, de Curitiba. Há cinco anos, ele decidiu investir no plantio de pinus, numa área de 7,2 hectares, em Doutor Ulysses, a 130 quilômetros da capital paranaense.

Por meio de uma parceria com a empresa Berneck, Afonso de Melo desenvolveu um projeto para plantar 12,6 mil árvores com objetivo de produzir madeira num prazo de 15 anos. João, de 42 anos, conta que investiu no setor pensando na sua aposentadoria. “Iniciei o plantio pensando na minha velhice, como uma forma de garantir uma renda nesse período. É um tipo de investimento que não oferece tantos riscos”, destaca o encarregado pela manutenção de serviços em um condomínio de Curitiba.

Segundo o silvicultor, o custo médio de investimento, com mudas e mão de obra, foi de R$ 6 mil por 2,4 hectares. Hoje, João afirma que não há segredos no manejo das árvores, mas o produtor deve ficar de olho no controle das formigas. “Tive que replantar 1,5 mil árvores por causa delas”.

 

Minas Gerais

A coordenadora da Assessoria de Meio Ambiente, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Ana Paula Mello, ressalta que a data é uma forma de valorização das florestas: “Influem na qualidade do ar, na integridade do solo e dos cursos de água. E são vitais no equilíbrio dos ciclos naturais e à biodiversidade. Além da importância ambiental, têm papel econômico e mesmo social, pois nela estão baseadas diversas cadeias produtivas de grande importância, da celulose à transformação energética de biomassa florestal. A data serve, portanto, para nos lembrar da tarefa de conciliar preservação e desenvolvimento de forma sustentável”.

Segundo Ana Paula, a FAEMG tem contribuído para a preservação das florestas e da biodiversidade, desenvolvendo ações de prevenção e combate a incêndios florestais, por meio de campanhas educativas e capacitações do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/MG) para a formação de brigadistas de emergência. “O Programa Nosso Ambiente, do Sistema FAEMG, contempla projetos e ações de fortalecimento do desenvolvimento agropecuário sustentável. São diversas frentes de trabalho pela conservação dos recursos naturais, recuperação e preservação de nascentes e de solo, saneamento e reuso de água, irrigação eficiente, prevenção e combate a incêndios florestais, além de eventos de conhecimento, treinamentos e capacitações”, afirma.

 

Mato Grosso

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (FAMATO) está empenhada em promover e contribuir para um ambiente sustentável, sendo assim estabeleceu, ao lado dos produtores rurais do Estado, política ambiental que inclui: manter nas propriedades rurais áreas de preservação, práticas como as da Integração Floresta Pecuária e/ou Floresta Lavoura. A ação tem como objetivo o plantio de árvores na mesma área da produção agrícola e pecuária, envolvendo a produção de grãos, fibras, madeira, leite ou carne e plantios em rotação e consorciação.

Esta prática promove benefício ambiental positivo para o cultivo de grãos, conforto térmico para animais inserido nestes sistemas, além de aumento da população de árvores na zona rural.

 

Pará

Um dos principais projetos do Sistema FAEPA é o Projeto Preservar, que visa o fortalecimento da atividade agropecuária paraense com sustentabilidade, apoiando a ideia do desmatamento zero e participação dos produtores rurais. O Preservar prevê o aumento da produção no estado, fundamentado em quatro pilares: a adoção de novo paradigma para a agropecuária, o desmatamento zero, o novo modal de pecuária e a reversão de 11 milhões de hectares de pastagem para a agricultura e silvicultura, sem, no entanto, abrir novas frentes de desmatamento. Isso por meio de um melhor aproveitamento de áreas que já foram modificadas, utilizadas pelo homem, chamadas de antropizadas. Para entender melhor o Projeto, dos quase 125 milhões de hectares de terras que o Pará possui aproximadamente 30 milhões são áreas antropizadas, o que equivale a 24% do território paraense.

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (FAEPA), Carlos Xavier, o Projeto é o caminho para a consolidação do desenvolvimento da produção no estado. “Consideramos o Preservar um projeto totalmente autossustentável e um dos mais bem estruturados do país. Podemos trabalhar uma propriedade com agregação de tecnologia e multiplicar sua produção e renda por dez, adotando sistemas produtivos econômicos e ambientalmente sustentáveis. Não tenho dúvida de que o Pará estando na Amazônia é muito cobrado pela comunidade internacional e nós temos que desenvolver um trabalho imenso aqui. E é isso que estamos fazendo através do Projeto Preservar, que é produzir com sustentabilidade, mostrando para o mundo que o Pará é o maior ativo ambiental do planeta e que temos o compromisso na amplitude de nossos recursos naturais”, finaliza.

 

Espírito Santo

“Sou produtor de água e reciclador de terra”. Assim se considera o técnico agrícola e produtor rural, Carlos Tatagiba Martins, por pensar, executar e custear projetos de sustentabilidade em suas duas propriedades há mais de 20 anos. Em Burarama, no município de Cachoeiro de Itapemirim (ES), o sítio São Brás possui caixas secas para reter água da chuva, corredor ecológico, mata ciliar e cultivo de café. O sítio Jacutinga, no distrito Rize, município de Alegre, conta com plantio de eucalipto, em área de morro, de maneira a recuperar a área degradada, mata ciliar, corredor ecológico e várzea. Além disso, apresenta cultivo consorciado de coco e cacau. “Juntando as áreas, tenho 20 hectares e para mim a preservação é gratificante. Eu acredito que o equilíbrio do produtor com o meio ambiente retorna de forma positiva”, ressalta Carlos, que atingiu 80% de área recuperada.

O que antes era apenas lavoura e pasto, hoje divide espaço com diferentes culturas, teve parte do solo recuperado, retém mais água no lençol freático e, por fim, gera renda ao produtor Carlos Tatagiba. E não para por aí. Todo o conjunto da obra, reunindo as mudanças na propriedade com as ações de preservação, já rendeu dois prêmios: em 2008, pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (FAES) o Prêmio Comarh e, em 2015, o Prêmio Biguá, pela Rede Gazeta Sul. Todos conquistados pelo mérito do cuidado com a natureza.

Fonte: Portal do Agronegócio

 

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