Apicultor baiano cria combustível feito de mel

Apicultor baiano cria combustível feito de mel

10 de agosto de 2015

Numa experiência inédita no Brasil, um apicultor de Vitória da Conquista (BA) desenvolveu o combustível etanol do próprio carro a partir do mel de abelha, antes descartado durante o processo de controle de qualidade do produto.

A descoberta do apicultor Luiz Jordans Ramalho Alves é o desdobramento de uma pesquisa que tinha por finalidade o melhor aproveitamento do mel de descarte para produção de álcool alimentício (ou nobre), usado para fazer cachaça ou aguardente de mel.

mel garrafa - C

rédito: Free Digital Photos keakguru

Segundo o apicultor, das 10 toneladas de mel que produz ao mês, entre 50 e 100 quilos acabam tendo de ser descartados. Só que, ao invés de jogar fora, Alves foi acumulando o produto em seu entreposto de mel, localizado em Barra do Choça, município vizinho a Vitória da Conquista.

É no próprio entreposto que ele realiza todo o processo químico, num pequeno laboratório. Primeiro, o mel descartado entra em fermentação em um tanque de 250 litros, que pode durar de cinco a 15 dias. Depois disso, ocorre a primeira destilação do álcool, por um período de 24 horas. Dessa primeira destilação é retirado o álcool alimentício e a sobra (30%) vai para a produção do álcool combustível, numa segunda destilação.

Persistência

A pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), teve início em 2012 e término em dezembro de 2014. Mas a descoberta do álcool combustível, contudo, só ocorreu há cerca de um mês. É que as pesquisas ainda não tinham indicado o que fazer com os 30% de álcool que sobravam ao final da primeira destilação.

Insistente no desejo de aproveitar 100% de todo o descarte do mel, o apicultor avançou nas pesquisas por conta própria e com o auxílio de um laboratório de Salvador avaliou que o produto tinha características semelhantes ao etanol utilizado no funcionamento de veículos.

“Foi quando tive a ideia de usar o álcool no meu carro e funcionou”, conta Luis Jordans, revelando em seguida que o produto não passou por teste mecânico em laboratório: “Foi um teste empírico que fiz no meu carro”.

Economia

O combustível de mel, segundo Luis Jordans, possui graduação alcoólica de cerca de 80%. Pelas normas da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o etanol utilizado em veículos deve ter entre 92,5% e 94,7% de álcool.

“O desempenho do carro diminui um pouco, mas dá para andar tranquilo”, relatou o apicultor. A produção de combustível de mel está em 50 litros por semana e ele consegue economizar ao menos R$ 117,5 durante os dias de trabalho em que roda com o carro (de segunda a sexta-feira).

O apicultor informou que o que ele produz de combustível de mel é o limite, e que não tem pretensões de produzir em larga escala.

O próximo passo agora, diz ele, é patentear o uso do combustível de mel em veículos, já que as pesquisas sobre este tipo de etanol no país ainda não tinham avançado neste sentido.

Na Fapesb, o trabalho do apicultor repercutiu bem. “Ficamos muito satisfeitos com as descobertas, sobretudo porque elas se deram após a vigência do contrato. Ele terá nosso apoio, inclusive para patentear a ideia”, afirmou o pesquisador Alzir Antonio Mahl, da diretoria de Inovação da Fapesb.

Fonte: UOL – Mário Bittencourt

 

 

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