Apamina é usada para atravessar barreira cerebral

4 de novembro de 2015

O Instituto de Pesquisa Biomédica de Barcelona (IRB) desenvolveu um “veículo de lançamento” baseado em veneno de abelha capaz de atravessar a densa proteção do cérebro para transportar até seu interior remédios para tratar doenças neurológicas.

Trata-se de um novo “cavalo de Tróia para conquistar o cérebro”, disse o pesquisador do IRB, Ernest Giralt, que lembrou que o órgão é protegido por milhares de vasos capilares que formam uma barreira: “uma defesa e ao mesmo tempo uma contenção para a entrada de remédios para doenças do sistema nervoso central”, segundo o especialista.

“Este muro é responsável pela baixa taxa de sucesso de novos remédios para o cérebro, mas hoje já temos estratégias para superá-lo”, garantiu Giralt.

Alzheimer, tumores cerebrais, esquizofrenia, infartos cerebrais, epilepsia, demência e diversos tipos de falta de coordenação de movimentos musculares são algumas das doenças que afetam o sistema nervoso central e que precisam de remédios aplicados diretamente no cérebro para serem tratados.

O primeiro cientista a elaborar o conceito de veículos de lançamento para atravessar a barreira do cérebro foi o americano da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), William M. Pardridge, em 1986. Cinco anos depois foi provada a viabilidade dos anticorpos, como os utilizados pelo sistema imunológico, como veículos capazes de atravessar a barreira.

A outra grande linha estratégica em veículos de lançamento foi proposta no início do século XXI: o uso dos peptídeos, que são proteínas menores e menos custosas que os anticorpos.

Giralt, que é especialista na química de péptideos, incorporou essa linha de trabalho ao IRB em 2005, e agora começam  a ser alcançados os primeiros veículos de lançamento peptídicos capazes de atravessar a barreira.

O último exemplo é um peptídeo baseado na apamina, uma proteína extraída do veneno de abelha que, com a toxicidade eliminada, supera a barreira e é duradoura em sangue, uma descoberta que foi publicada em outubro na revista alemã Angewandte Chemie.

Fonte: Jornal do Brasil

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