Agricultores do RS produzem mel para a indústria de cosméticos

Agricultores do RS produzem mel para a indústria de cosméticos

10 de agosto de 2015

 

É de Vacaria, no nordeste do Rio Grande do Sul, que sai o mel usado na fabricação de muitos cosméticos. O Estado é o maior produtor de mel do País. O município, conhecido pela produção de maçãs, também tem vegetação silvestre bem variada para a produção de mel: araucária, eucalipto, guamirim, carqueja, são algumas das centenas de espécies de árvores da região.

Os apicultores, Alair Vargas e Paulo Rodrigues fazem parte da Cooperativa de Apicultores de Vacaria (Avapis), selecionada para participar do projeto “Talentos do Brasil Rural”, fornecendo o mel para a indústria de cosméticos. Pra isso, os apicultores receberam treinamentos. “Tem que ter cuidado com pragas invasoras nas colmeias, a troca de rainha, saber quando ela está produzindo bem. Tudo isso pra ter uma boa produção no final”, comenta Paulo Rodrigues.

O mel retirado no campo é levado para a agroindústria, onde é extraído dos favos em uma centrífuga. Depois é decantado por 72 horas para a retirada de impurezas. Para esta etapa, os produtores também recebem orientações de boas práticas. “Como fazer este processo de extração do mel, como utilizar os equipamentos e como utilizar a vestimenta. Questão de limpeza, higienização… Então para nós ficou muito interessante. E a gente tem mais segurança do que está fazendo e do produto que estamos entregando ao consumidor”, avalia Paulo.

Antes de ir para indústria, o mel que sai do Rio Grande do Saul precisa ser transformado em extrato. Em uma empresa na região metropolitana de Curitiba (PR), o produto deixa de ser alimento e vira matéria-prima para a fabricação de cosméticos.

Crédito: Free Digital Photos pandpstock001

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A principal característica do mel como cosmético é que, dependendo do teor do açúcar, ele forma um filme de hidratação na pele e nos cabelos.

A farmacêutica Ana Carolina Heemann esteve em Vacaria para orientar os produtores e confere se o produto cumpre os padrões estabelecidos no projeto. “Na embalagem adequada, analisamos a rotulagem, validade, o lote do produto, em seguida as características desse mel”, diz.

Ela analisa cor, odor, densidade, pH, o teor de acidez e também o  teor de açúcar do produto. Passando nos testes o mel começa a ser transformado com o uso de conservantes e antioxidantes. “O mel quando chega aqui, está adequado para o consumo como alimento. Ele não deve ser utilizado como insumo cosmético porque ele pode cristalizar e assim influenciar na produção do xampu, do condicionador, da loção. Então nós realizamos processos de transformação, adicionando outros ingredientes que evitam que isso aconteça”, explica a farmacêutica.

Em forma de extrato, o mel segue para a indústria. Em uma delas são produzidas 14 linhas de cosméticos para redes de hotéis, sendo que uma possui um diferencial: embalagens e etiquetas são de material reciclável. “Nesse projeto nós sabemos quem produziu. Em outros tipos de extratos que nós utilizamos, claro existe uma procedência, mas esse mel especificamente é da Cooperativa Avapis, de Vacaria. Todo consumidor que utilizar este produto, sabe que está utilizando algo que é resultado do trabalho daquele pequeno agricultor”, declara Mauro de Oliveira, diretor comercial da empresa.

A Cooperativa de Vacaria, além do valor pela venda do mel, tem ainda num retorno financeiro sobre cada um dos cosméticos: 5% do que é comercializado volta para os apicultores. A Avapis também pode vender os produtos. “É mais um ganho para o cooperativado. Na nossa região se usa basntante a abelha mais para polinizar, então é uma maneira do pessoal começar a trabalhar para produzir mel também em maior escala do que produzimos hoje”, comenta Edson da Silva, apicultor.

Hoje, os 49 cooperados produzem 60 toneladas de mel por ano e pretendem construir uma nova sede para aumentar a agroindústria. “Quando comecei a trabalhar com apicultura, jamais imaginei que um dia nosso produto ia chegar a uma fabricação de cosmético e distribuição para o Brasil inteiro”, comenta Alair Vargas.

O que os apicultores aprenderam no projeto está refletindo na produtividade. Algumas colmeias já estão rendendo 50% a mais de mel.

Fonte: G1 – Cristina Vieira

 

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