AGBIO 2017 reúne especialistas na Tailândia

AGBIO 2017 reúne especialistas na Tailândia

12 de março de 2017

Terminou no último dia 2, na Tailândia, a Conferência Internacional sobre Agricultura Sustentável e Bioeconomia – AGBIO 2017, evento que reuniu pesquisadores de diversos países para debater um dos principais desafios mundiais: como produzir mais alimentos para uma demanda que continuará crescendo, sem prejudicar o meio ambiente e a própria sustentabilidade da agricultura.

O pesquisador Cristiano Menezes, da Embrapa Amazônia Oriental – e conselheiro científico da A.B.E.L.H.A. – esteve presente na conferência, e relata que a palestra de abertura foi feita por John Manners, do CSIRO (Austrália), sobre o tema Ligação entre tecnologias agrícolas sustentáveis e bioeconomia. O palestrante afirmou que a agricultura não poderá mais se expandir em termos de área ocupada, portanto depende exclusivamente de aumentar a produtividade das áreas atualmente ocupadas. O pesquisador do CSIRO apontou diversas soluções tecnológicas que estão sendo desenvolvidas na Austrália para aumentar a produtividade da agricultura e, ao mesmo tempo, reduzir os impactos que ela causa ao meio ambiente.

Polinizadores e polinização

Além das tecnologias, a polinização foi um dos temas de destaques do congresso, com duas palestras magnas e dois simpósios.

Uma das palestras foi a de David Inouye, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Ela fez uma revisão sobre a situação dos polinizadores no mundo e a importância deles para a sustentabilidade da agricultura e dos serviços ambientais. Um dos pontos levantados foi a importância do relatório da Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês) para o desenvolvimento das políticas públicas mundiais voltadas à conservação dos polinizadores e à adoção de práticas amigáveis a eles.

Outra palestra de destaque foi realizada por Benjamin Oldroyd, pesquisador da Universidade de Sydney, na Austrália. Ele mostrou, por meio de avaliação genética das populações de machos de abelhas, que a densidade de colônias nas áreas estudadas da Austrália está muito aquém da necessidade da maioria dos cultivos. Dessa forma, os agricultores precisam recorrer aos criadores de abelhas para atingir a densidade de abelhas necessária para ter boa produtividade.

Os dois simpósios de polinizadores contaram com diversas palestras de pesquisadores e estudantes da Tailândia e de outros lugares do mundo, a exemplo da China, da África do Sul e inclusive do Brasil, palestra feita pelo pesquisador da Embrapa. Diversas oportunidades de colaboração e compartilhamento de experiências foram levantadas ao longo das apresentações.

Por fim, o evento ainda contou com uma feira de exposição de empresas e entidades relacionadas com a agricultura e a conservação. Uma das seções de destaque, conta Menezes, foi a dos polinizadores, nas quais os produtos das abelhas e os serviços de polinização foram bastante enfatizados. “O estande ofereceu aos participantes oportunidade de conhecer profundamente o mundo das abelhas e da polinização, incluindo um ninho de Apis mellifera e de uma espécie de abelha sem ferrão expostos em caixas de observação”, relata.

AGBIO-2017-1

 

Exemplo brasileiro

Cristiano-Menezes-e-Somnuk-Boongird

Cristiano Menezes e Somnuk Boongird

Na exposição, o pesquisador Somnuk Boongird, da Universidade Ramkhamhaeng, na Tailândia, demonstrou a técnica de criação de rainhas in vitro que está sendo usada nas abelhas sem ferrão da Tailândia. A técnica foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores brasileiros, do qual Cristiano Menezes fez parte, que publicou o trabalho em 2013.

Boongird ressaltou que acompanha os trabalhos brasileiros de perto e afirmou que tal publicação foi muito importante para eles conseguirem avançar – e que consideram a pesquisa com abelhas sem ferrão no Brasil a mais avançada do mundo, modelo para seus trabalhos.

Eles possuem 36 espécies diferentes de abelhas sem ferrão e 4 de Apis (do gênero da abelha africanizada). A mais comum é chamada de abelha Fusco, uma abelha bem pequena, que é bastante comum inclusive na cidade. Eles a utilizam para polinização de manga e jaca, duas culturas agrícolas importantes.

Mais informações sobre o evento estão disponíveis no site oficial da AGBIO 2017.

 

Compartilhe: