Abelhas sem ferrão são tema de simpósio no IUSSI 2018

Abelhas sem ferrão são tema de simpósio no IUSSI 2018

7 de agosto de 2018

O simpósio “Abelhas sem ferrão: integrando biologia básica, inovação e política de conservação”, que recebeu apoio da A.B.E.L.H.A., foi um dos destaques do primeiro dia do Congresso IUSSI 2018, no Guarujá (SP).

Organizado pelas pesquisadoras Denise Alves (Esalq-USP) e Vera Imperatriz-Fonseca (USP), a mesa contou com apresentação de dez pesquisadores de diversas nacionalidades. Eles compartilharam com o público internacional do evento muitos dos conhecimentos e experiências vivenciadas nos últimos anos com as abelhas sem ferrão no Brasil, na Austrália e em Singapura.

O inglês Francis Ratnieks, professor de apicultura da Universidade de Sussex (Inglaterra) e parceiro de longa data de pesquisadores e estudantes brasileiros, abriu o simpósio fazendo uma análise comparativa sobre a biologia geral das abelhas sem ferrão e as suas primas, as abelhas-africanizadas (Apis mellifera). Segundo ele, ao contrário das abelhas do gênero Apis, os meliponíneos são muito mais diversos e apresentam muitos comportamentos curiosos. “Essa riqueza das abelhas sem ferrão nos permite fazer análises mais interessantes sobre a evolução das sociedades dos insetos, inclusive bastante úteis para comparação com os grupos melhor estudados”, disse.

Vera Imperatriz-Fonseca, da USP e consultora científica A.B.E.L.H.A., apresentou na sequência os principais resultados obtidos no IPBES (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services), relatório organizado pela ONU e que contou com a pesquisadora como uma das coordenadoras. Ela relatou como tem crescido no mundo o interesse pelas abelhas sem ferrão, tanto por parte da academia quanto da população. “Hoje há vários esforços de diversas entidades para promover a criação e a conservação de algumas espécies de meliponíneos. Esse simpósio é um exemplo disso e pode contribuir para gerar um conhecimento que nos ajude na conservação desses insetos”, disse.

Eduardo Almeida, que trabalha na taxonomia, sistemática e biogeografia das abelhas na USP Ribeirão Preto, tratou do desafio de classificar e organizar a diversidade dos meliponíneos, já que eles ocorrem em todas as áreas tropicais do planeta. Por esta razão, recentemente houve mudanças na interpretação das relações de parentesco entre elas. Conhecer bem a nossa diversidade de abelhas é muito importante para planejar as estratégias de conservação das espécies. Trata-se de um excelente exemplo sobre a importância da ciência básica para as decisões em termos de políticas públicas.

Os dois palestrantes seguintes, Michael Hrncir, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFRSA), e Cristina Giannini (Instituto Tecnológico Vale), que trabalham nas regiões Nordeste e Norte, respectivamente, apresentaram os desafios que o aquecimento global impõe à sobrevivência e à distribuição geográfica das espécies de abelhas sem ferrão.

O pesquisador venezuelano Rodolfo Jaffé, atualmente trabalhando na região Norte do Brasil no Instituto Tecnológico Vale, mostrou os principais avanços no conhecimento em relação ao efeito da fragmentação dos habitat nas características genéticas das populações de abelhas sem ferrão. Esse assunto ainda apresenta grandes desafios para serem plenamente compreendidos, mas é um conhecimento fundamental para monitorar a situação das populações de diferentes espécies abelhas sem ferrão e tomar providências para sua conservação.

Nessa mesma linha, o estudante Francisco Bueno, da Universidade de Sidney (Austrália), apresentou novas técnicas que estão sendo usadas para avaliar a presença e o papel da Tetragonula carbonaria, uma abelha sem ferrão australiana, e que podem ser úteis para as pesquisas no Brasil.

Cristiano Menezes, biólogo da Embrapa Meio Ambiente/Jaguariúna e consultor científico A.B.E.L.H.A., e Carlos Gustavo Nunes-Silva, da Universidade Federal do Amazonas, compartilharam seus estudos sobre como os microorganismos das colônias de abelhas sem ferrão são importantes para sobrevivência das colônias e como eles podem ser úteis para o desenvolvimento da atividade de criação de abelhas. Os meliponíneos dependem de fungos e outros pequenos seres vivos para a conservação e o processamento de seus alimentos. “Novos conhecimentos sobre esse assunto podem gerar inovações interessantes para o ser humano na área de conservação de alimentos e prospecção de substâncias bioativas”, disse Cristiano, que levou amostras de mel de duas espécies brasileiras da região amazônica, a uruçu-amarela e a tiúba.

Por fim, o pesquisador da Ásia, Dr. Chui Shao Xiong, apresentou um inovador coletor de pólen para abelhas sem ferrão feito com impressão 3D, e que funcionou perfeitamente para as espécies asiáticas de abelhas sem ferrão. Trata-se de uma inovação que pode ser importante para a meliponicultura no Brasil.

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