Abelhas e bromélias indicam importância da polinização para equilíbrio ambiental

Abelhas e bromélias indicam importância da polinização para equilíbrio ambiental

8 de agosto de 2016

Com folhas verdes nem sempre espinhosas e inflorescências vermelhas, amarelas, róseas, lilases e, às vezes, pigmentadas de branco, elas nascem no solo fértil da encosta ou na aridez da restinga; crescem sobre troncos de árvores e, resistentes, até sobre rochas, enquanto outras parecem suculento abacaxi. Atraentes pelas cores fortes e abundantes no que restou da mata atlântica, as bromélias são importantes indicadores de atividades de diversos insetos, entre eles, as abelhas nativas na Ilha de Santa Catarina.

A combinação entre as plantas coloridas, que florescem apenas uma vez e depois secam, e as abelhas­sem­ferrão, produtores de mel com sabores inigualáveis e variados efeitos medicinais, indica, também, os níveis de preservação e degradação da floresta que circunda a cidade. Dentro do universo encantado delas e, consequentemente, da função que desempenham na preservação florestal e no equilíbrio ambiental do planeta, um detalhe intrigou os pesquisadores Rafael Kamke, 33, e Josefina Steiner, 60, do Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina. A exclusividade dos pequenos insetos na polinização da Aechmea caudata, bromélia comum nas matas nativas da Ilha, que, apesar da beleza das cores e suculência floral, é ignorada por beija­flores, borboletas e libélulas.

Em uma década de cooperação técnica com a professora Anne Zillikens, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, os pesquisadores do Laboratório de Abelhas Nativas da Universidade Federal de Santa Catarina (Lanufsc) concentraram os estudos na Unidade de Conservação Ambiental Desterro – área de 490 hectares bem preservados entre os morros de Cacupé, Saco Grande e Lagoa da Conceição, no maciço Norte. Também realizaram pesquisas em restinga e outras matas da Ilha.

Seja no ambiente fértil da encosta, na secura da restinga ou no fiapo de solo acumulado nas frestas das rochas, as bromélias formam microcosmos capazes de atrair polinizadores e, ao mesmo tempo, encantar leigos e pesquisadores. “Oferecem água, húmus e inflorescência de grande diversidade de cores”, diz a professora Josefina, que destaca outra característica própria da Aechmea caudata, a bromélia exclusiva das abelhas e mamangavas (Bombus morio). “As flores se abrem da base para cima”.

A resposta exata ainda está por vir, mas Rafael Kamke acredita que, neste caso específico, os demais polinizadores abrem mão da competição por freqüentarem bromélias com mais néctar. “É uma possibilidade”, pondera. Em outras espécies, como a Aechmea nudicaulis, abelhas e beija­flores se revezam pacificamente na função polinizadora.

Fonte: Notícias do Dia – Edson Rosa

 

 

 

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